Adoçantes podem ajudar a diminuir o açúcar de alimentos e bebidas, mas isso não significa que sejam uma estratégia garantida para emagrecer ou prevenir doenças. A Organização Mundial da Saúde recomenda não usar adoçantes sem açúcar como estratégia de controle do peso a longo prazo. Ao mesmo tempo, órgãos internacionais continuam considerando vários desses produtos seguros quando consumidos dentro dos limites estabelecidos, inclusive o aspartame. A aparente contradição acontece porque eficácia para emagrecer e segurança toxicológica são questões diferentes.
Por que a OMS não recomenda adoçantes para emagrecer?
Em 2023, a OMS recomendou que adoçantes sem açúcar não sejam usados para controlar o peso corporal ou reduzir o risco de doenças crônicas. A orientação inclui produtos como aspartame, sucralose, sacarina, ciclamato e estévia, mas não se aplica às pessoas que já têm diabetes.
A recomendação é condicional. Isso ocorre porque estudos de longo prazo são, em grande parte, observacionais e podem sofrer influência de outros fatores. Por exemplo, pessoas com obesidade ou maior risco metabólico podem passar a consumir mais produtos diet justamente por já terem esses problemas. Assim, encontrar uma associação entre adoçantes e determinadas doenças não prova que eles sejam a causa.
Os estudos mais novos encontraram benefícios ou riscos?
Os resultados continuam mistos. Uma revisão abrangente publicada em 2026, que reuniu 29 meta-análises, encontrou diferenças importantes conforme o tipo de estudo. Pesquisas observacionais relacionaram maior consumo de adoçantes sem açúcar a alguns desfechos metabólicos desfavoráveis, enquanto ensaios clínicos encontraram reduções modestas de peso em determinados grupos, principalmente pessoas com sobrepeso ou obesidade.
Isso ajuda a explicar por que não existe uma resposta simples para a pergunta “adoçante faz mal?”. Trocar uma bebida muito açucarada por uma versão sem açúcar pode reduzir calorias naquele momento, mas o efeito da alimentação ao longo dos anos depende do conjunto da dieta, das quantidades consumidas e de outros hábitos. O Tua Saúde apresenta os diferentes tipos de adoçantes e suas características.

Aspartame ser “possivelmente cancerígeno” significa que causa câncer?
Não. Em 2023, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, a IARC, classificou o aspartame no grupo 2B, de substâncias “possivelmente cancerígenas para humanos”. A classificação foi baseada em evidência limitada de câncer em humanos, além de evidências também limitadas em animais e sobre possíveis mecanismos.
Essa classificação avalia o potencial de uma substância causar câncer em alguma circunstância, e não o risco de uma pessoa desenvolver câncer ao consumir uma determinada quantidade. A própria OMS explica que a categoria da IARC identifica um perigo potencial, mas não informa o risco em cada nível de exposição. Por isso, dizer simplesmente que “aspartame causa câncer” vai além do que a evidência permite afirmar.
Por que o limite diário do aspartame não mudou?
Ao mesmo tempo em que a IARC avaliou o potencial cancerígeno, o Comitê Conjunto de Especialistas em Aditivos Alimentares da FAO e da OMS, conhecido como JECFA, fez uma avaliação de risco. O grupo concluiu que as evidências disponíveis não justificavam alterar a ingestão diária aceitável do aspartame.
O limite foi mantido em 0 a 40 mg por quilo de peso corporal por dia. Para uma pessoa de 70 kg, isso corresponde a até 2.800 mg por dia. A OMS exemplificou que seriam necessárias mais de aproximadamente 9 a 14 latas de refrigerante dietético contendo entre 200 e 300 mg de aspartame cada para ultrapassar esse limite, considerando que não houvesse outras fontes do adoçante na alimentação. Pessoas com fenilcetonúria, porém, precisam evitar aspartame por causa da fenilalanina presente em sua composição.

Então vale trocar todo o açúcar por adoçante?
Não é necessário tratar açúcar e adoçante como duas escolhas absolutas. Para quem consome grandes quantidades de açúcar, um adoçante pode ser uma ferramenta de transição em algumas situações. Entretanto, a orientação da OMS é que o objetivo a longo prazo seja diminuir a preferência por sabores excessivamente doces, em vez de simplesmente substituir todo o açúcar por produtos intensamente adoçados.
Água, café e chás sem açúcar, frutas e alimentos pouco processados podem ajudar nessa adaptação. Para pessoas com diabetes ou outras condições que exigem controle específico da alimentação, a escolha do adoçante e a quantidade devem fazer parte de uma orientação individual, considerando o restante da dieta.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.









