A gordura no fígado pode estar presente durante muito tempo sem provocar dor ou qualquer mudança perceptível no dia a dia. Isso acontece porque o acúmulo de gordura nas células hepáticas frequentemente não produz sintomas específicos, principalmente nas fases iniciais. Por esse motivo, muitas pessoas descobrem a alteração somente em exames de sangue ou de imagem solicitados em consultas de rotina ou por outra razão.
Por que a gordura no fígado costuma ser silenciosa?
A esteatose hepática acontece quando há acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado. Quando está relacionada principalmente a alterações metabólicas, como obesidade, resistência à insulina ou diabetes tipo 2, atualmente também pode ser chamada de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, ou MASLD.
O National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases explica que a doença costuma ser silenciosa, com poucos ou nenhum sintoma. Quando existem manifestações, cansaço e desconforto na parte superior direita do abdômen estão entre as possibilidades, mas são sintomas inespecíficos e podem ter muitas outras causas.
Como a gordura no fígado é descoberta se a pessoa não sente nada?
É comum que a suspeita apareça durante a investigação de outro problema. Exames de sangue podem mostrar alterações nas enzimas do fígado, como ALT e AST, enquanto exames de imagem realizados por outros motivos podem revelar o acúmulo de gordura.
Segundo a orientação do NIDDK sobre o diagnóstico da doença hepática gordurosa, exames como ultrassonografia, tomografia e ressonância podem mostrar gordura no fígado. No entanto, exames de imagem de rotina não conseguem determinar sozinhos se há inflamação ou fibrose, que é a formação de cicatrizes no órgão.

Exames normais significam que o fígado está saudável?
Nem sempre. A ausência de sintomas não permite saber se existe ou não gordura no fígado, e os exames precisam ser interpretados em conjunto. Da mesma forma, a quantidade de gordura vista em uma ultrassonografia não revela sozinha quanto o fígado está inflamado ou cicatrizado.
O médico pode considerar diferentes informações durante a avaliação, entre elas:
- peso e circunferência abdominal;
- presença de diabetes ou resistência à insulina;
- níveis de colesterol e triglicerídeos;
- consumo de bebidas alcoólicas;
- medicamentos em uso;
- resultados dos exames de sangue e de imagem.
Não ter sintomas significa que a gordura no fígado é inofensiva?
Não. Grande parte das pessoas pode permanecer sem sintomas, mas em alguns casos o acúmulo de gordura está acompanhado de inflamação e pode progredir para fibrose e cirrose. A ausência de dor, portanto, não deve ser usada para concluir que o problema desapareceu ou que não precisa de acompanhamento. O próprio NIDDK ressalta que algumas pessoas podem não apresentar sintomas mesmo quando já desenvolveram cirrose relacionada à doença.
O Tua Saúde explica também como a gordura no fígado pode se apresentar, quais fatores estão associados e como é feita a avaliação. Diabetes tipo 2, obesidade, alterações do colesterol e dos triglicerídeos estão entre as condições frequentemente relacionadas ao problema.

O que fazer quando a gordura no fígado aparece em um exame?
O resultado deve ser levado a um médico para avaliar a possível causa e o risco de alterações mais avançadas. Dependendo do caso, podem ser analisados exames laboratoriais, ultrassonografia e métodos que estimam o risco de fibrose, como escores calculados a partir de exames de sangue ou elastografia. Nem toda pessoa com esteatose precisa de biópsia.
A descoberta também é uma oportunidade para avaliar alimentação, atividade física, peso, consumo de álcool e condições como diabetes, pressão alta e colesterol alterado. O acompanhamento é importante mesmo quando a pessoa se sente completamente bem, justamente porque a gordura no fígado sem sintomas é frequente.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional de saúde.









