Passar várias horas sentado durante uma viagem de ônibus pode provocar sensação de pernas pesadas, rigidez e inchaço nos tornozelos. Isso acontece porque a falta de movimento reduz a atividade dos músculos da panturrilha, que ajudam o sangue a retornar das pernas ao coração. Movimentar os pés e tornozelos enquanto permanece sentado é uma maneira simples de estimular a circulação, especialmente em trajetos prolongados. Entretanto, esses movimentos não eliminam completamente o risco de problemas circulatórios, e sintomas como inchaço doloroso em apenas uma perna precisam de atenção.
Por que ficar sentado no ônibus pode prejudicar a circulação?
O sangue que chega às pernas precisa retornar ao coração, vencendo a ação da gravidade. Para facilitar esse processo, as veias contam com válvulas internas e com a contração dos músculos das panturrilhas, que funcionam como uma espécie de bomba durante os movimentos.
Quando a pessoa permanece sentada por muito tempo, essa musculatura fica menos ativa e o retorno venoso pode se tornar mais lento. Além disso, a posição das pernas e a pressão do assento podem dificultar o fluxo sanguíneo em determinadas regiões.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), viagens com duração superior a quatro horas, seja de ônibus, carro, trem ou avião, podem aumentar o risco de formação de coágulos devido à imobilidade prolongada. Entretanto, esse risco permanece baixo para a maioria das pessoas saudáveis e aumenta principalmente quando existem outros fatores predisponentes.

Quais movimentos ajudam a circulação durante a viagem?
Mesmo quando não é possível sair do assento, movimentar os tornozelos e contrair as panturrilhas ajuda a estimular o fluxo de sangue nas pernas. Esses exercícios podem ser realizados de maneira suave, sem equipamentos e respeitando o espaço disponível.
Alguns movimentos úteis são:
- Levantar e abaixar os calcanhares: manter as pontas dos pés apoiadas no chão enquanto movimenta os calcanhares;
- Elevar as pontas dos pés: apoiar os calcanhares no piso e levantar os dedos em direção às pernas;
- Flexionar os tornozelos: alternar os pés apontados para a frente com o movimento de puxar os dedos em direção ao corpo;
- Contrair as panturrilhas: apertar suavemente os músculos das pernas por alguns instantes e depois relaxar;
- Mudar de posição: evitar permanecer durante muitas horas com as pernas cruzadas ou pressionadas contra o assento.
Esses movimentos podem ser repetidos regularmente durante a viagem, desde que não provoquem dor. Movimentar os pés ajuda a circulação, mas não substitui as oportunidades de levantar e caminhar.
É importante caminhar durante as paradas do ônibus?
Sim. Quando o ônibus faz uma parada segura e permite a saída dos passageiros, caminhar por alguns minutos ajuda a ativar os músculos das pernas e interromper o período prolongado de imobilidade.
O CDC recomenda movimentar as pernas frequentemente e, quando possível, caminhar a cada uma ou duas horas durante viagens longas. Em trajetos de ônibus, nem sempre existem paradas nessa frequência, por isso os movimentos realizados no próprio assento também são importantes.
Não é recomendado caminhar pelo corredor enquanto o veículo está em movimento se isso representar risco de queda. O ideal é aproveitar as paradas autorizadas, utilizar calçados confortáveis e levantar com cuidado, especialmente quando existe tendência à tontura.
Roupas muito apertadas também podem causar desconforto e comprimir determinadas regiões das pernas. Escolher peças confortáveis e manter uma hidratação adequada são cuidados úteis durante o trajeto, embora beber água não seja uma medida comprovada para prevenir trombose.
Quem precisa ter mais cuidado em viagens prolongadas?
Embora a maioria das pessoas consiga realizar viagens longas sem complicações, algumas condições aumentam o risco de trombose venosa profunda, situação em que um coágulo se forma dentro de uma veia profunda, geralmente na perna.
Entre os fatores que merecem atenção estão o histórico anterior de trombose, cirurgia ou internação recente, gravidez, período após o parto, câncer ativo, obesidade e uso de determinados medicamentos hormonais contendo estrogênio.
Pessoas com esses fatores devem conversar com um médico antes de viagens prolongadas, principalmente quando existem várias condições associadas. Em situações específicas, pode ser indicado o uso de meias de compressão graduada ou outras medidas preventivas, sempre conforme avaliação profissional.
Não é recomendado iniciar aspirina ou anticoagulantes por conta própria para prevenir coágulos durante a viagem, pois esses medicamentos apresentam riscos e não são necessários para todos os passageiros.

Quando o inchaço nas pernas depois da viagem é preocupante?
Um desconforto leve e bilateral nos tornozelos pode acontecer após muitas horas sentado. Entretanto, inchaço novo em apenas uma perna, principalmente acompanhado de dor na panturrilha, calor ou vermelhidão, exige avaliação médica urgente, pois pode indicar trombose venosa profunda.
É importante conhecer os sintomas e as possíveis causas da trombose, lembrando que o diagnóstico depende de avaliação médica e, quando necessário, exames específicos. Se houver suspeita de coágulo, não se deve massagear a perna ou tentar resolver o problema apenas com exercícios.
Falta de ar repentina, dor no peito, tosse com sangue ou desmaio exigem atendimento de emergência, pois podem indicar embolia pulmonar, uma complicação em que um coágulo obstrui vasos sanguíneos dos pulmões. Nesses casos, é necessário acionar imediatamente o SAMU pelo número 192.
Os sintomas também podem aparecer depois do término da viagem. Por isso, movimentar as pernas durante o trajeto é uma medida preventiva útil, mas reconhecer alterações importantes e procurar atendimento no momento adequado continua sendo essencial.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









