Retirar a gema do ovo pode parecer uma solução simples para quem quer reduzir o colesterol, mas essa mudança isolada costuma ter efeito limitado quando o restante da alimentação continua rico em frituras, embutidos, carnes gordurosas e ultraprocessados. Para ajudar no controle do LDL, conhecido como colesterol ruim, é mais importante observar o padrão alimentar como um todo do que concentrar toda a atenção apenas no número de ovos consumidos.
Por que tirar a gema nem sempre reduz o LDL?
A gema contém colesterol alimentar, mas os níveis de LDL no sangue não dependem apenas da quantidade de colesterol presente nos alimentos. O organismo também produz colesterol, e fatores como genética, peso corporal, atividade física e qualidade geral da alimentação podem influenciar esses valores.
Por isso, retirar a gema enquanto se mantém uma alimentação rica em gordura saturada pode não atingir um dos pontos mais importantes da dieta. Esse tipo de gordura está presente em alimentos como carnes gordurosas, bacon, linguiça, manteiga, queijos mais gordurosos e várias preparações industrializadas.
O que a ciência mostra sobre ovos e gordura saturada?
Um ensaio clínico randomizado e cruzado avaliou adultos submetidos a dietas com diferentes quantidades de colesterol alimentar e gordura saturada. Os resultados mostraram que a maior ingestão de gordura saturada esteve associada a níveis mais elevados de LDL, enquanto o colesterol alimentar não apresentou a mesma associação nas condições avaliadas.
Segundo o estudo Impact of dietary cholesterol from eggs and saturated fat on LDL cholesterol levels: a randomized cross-over study, publicado no The American Journal of Clinical Nutrition, uma dieta com dois ovos por dia e menor quantidade de gordura saturada apresentou níveis de LDL menores do que uma dieta rica em gordura saturada. O achado reforça que analisar apenas a gema pode simplificar demais a relação entre alimentação e colesterol alto.

Quais alimentos podem pesar mais no consumo de gordura saturada?
Observar a frequência com que alguns alimentos aparecem nas refeições ajuda a identificar fontes importantes de gordura saturada:
- Embutidos, como bacon, linguiça, salame, mortadela e salsicha;
- Carnes gordurosas, principalmente cortes com gordura aparente e pele de aves;
- Frituras, como salgados, batata frita e carnes preparadas em grande quantidade de óleo;
- Laticínios mais gordurosos, como manteiga, creme de leite e determinados queijos;
- Ultraprocessados, como biscoitos recheados, bolos industrializados, pizzas congeladas e alguns produtos de fast food.
O que mudar na alimentação para ajudar a baixar o LDL?
Em vez de fazer apenas uma restrição isolada, algumas mudanças no conjunto da alimentação podem ser mais úteis:
- reduzir a frequência de embutidos, frituras e carnes com excesso de gordura;
- preferir carnes mais magras e retirar a gordura aparente antes do preparo;
- aumentar o consumo de frutas, verduras, legumes e cereais integrais;
- incluir alimentos ricos em fibras, como aveia, feijão, lentilha e grão-de-bico;
- usar com moderação fontes de gorduras insaturadas, como azeite, castanhas, sementes e peixes;
- priorizar preparações cozidas, assadas ou grelhadas em vez de frituras frequentes.

Quando o consumo de ovos precisa ser avaliado individualmente?
Isso não significa que a quantidade de ovos seja irrelevante para todas as pessoas. Quem tem LDL muito elevado, hipercolesterolemia familiar, diabetes, doença cardiovascular ou outros fatores de risco pode precisar de orientações individualizadas sobre o consumo de colesterol e gorduras.
Uma dieta para colesterol alto deve considerar não apenas um alimento, mas a frequência das refeições, o consumo de fibras, os tipos de gordura e as necessidades individuais. Por isso, retirar apenas a gema enquanto frituras, embutidos e carnes gordurosas continuam presentes com frequência pode não ser suficiente. Em caso de LDL elevado, é recomendado procurar orientação médica ou nutricional profissional para investigar as causas e definir a melhor estratégia de tratamento.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou a orientação de um médico ou outro profissional de saúde qualificado.









