Durante décadas, o ovo foi apontado como o grande vilão do colesterol, mas pesquisas recentes mostram que ele pode ter sido injustamente acusado. O que realmente eleva o LDL, chamado colesterol ruim, é a gordura saturada presente em alimentos como bacon, linguiça, manteiga e queijos amarelos. Entender essa diferença ajuda a montar refeições mais equilibradas sem precisar excluir o ovo da mesa.
Por que o ovo foi considerado vilão do colesterol por tanto tempo?
A má fama do ovo começou na metade do século passado, quando se descobriu que uma unidade contém cerca de 200 miligramas de colesterol, quantidade considerada alta. Essa constatação levou a recomendações rígidas de evitar o alimento, especialmente no café da manhã.
No entanto, estudos mais recentes mostram que o colesterol da dieta tem menor influência sobre o colesterol sanguíneo do que se pensava, enquanto a gordura saturada passou a ser identificada como fator muito mais relevante no aumento do LDL.
Qual é a diferença entre colesterol alimentar e gordura saturada?
O colesterol alimentar é uma substância encontrada apenas em produtos de origem animal e participa de funções como produção de hormônios. Já a gordura saturada é um tipo de lipídio sólido à temperatura ambiente, presente em carnes gordurosas, embutidos, manteiga e laticínios integrais.
A grande diferença está no efeito metabólico: enquanto o colesterol alimentar sofre regulação pelo próprio organismo, a gordura saturada reduz a eficiência dos receptores que retiram o LDL da corrente sanguínea, favorecendo seu acúmulo.

Quais alimentos pesam mais no perfil lipídico?
Alguns alimentos têm maior impacto no aumento do colesterol LDL por serem ricos em gordura saturada, muitas vezes combinada ao sódio e aos ultraprocessados. Entre os principais estão:
- Embutidos, como bacon, linguiça, salsicha, mortadela e salame
- Carnes gordurosas, como picanha, costela, cupim e cortes com gordura aparente
- Queijos amarelos, especialmente parmesão, provolone, prato e cheddar
- Manteiga e banha, usadas no preparo ou como acompanhamento
- Frituras e empanados, principalmente em óleos reaproveitados
- Produtos ultraprocessados, como salgadinhos, biscoitos recheados e refeições prontas
O que diz o ensaio clínico de 2025 sobre ovo e gordura saturada?
Para esclarecer essa dúvida de uma vez, pesquisadores australianos conduziram um estudo que separou, pela primeira vez, o efeito do colesterol dos ovos e o da gordura saturada sobre o LDL. Segundo o estudo Impact of dietary cholesterol from eggs and saturated fat on LDL cholesterol levels a randomized cross-over study publicado no American Journal of Clinical Nutrition e indexado ao PubMed, 61 adultos seguiram três dietas diferentes por cinco semanas cada, variando o consumo de ovos, colesterol e gordura saturada.
Os resultados mostraram que a dieta com dois ovos por dia e baixa gordura saturada reduziu o LDL, enquanto a dieta sem ovos, mas rica em gordura saturada, elevou os níveis. Os autores concluíram que a gordura saturada, e não o colesterol dos ovos, é o principal responsável pela elevação do colesterol ruim.

Como organizar as refeições para proteger o coração?
Além de rever o papel do ovo, pequenas trocas no cardápio ajudam a baixar o LDL e proteger as artérias. Algumas estratégias para o tratamento do colesterol incluem:
- Trocar manteiga e banha por azeite extravirgem no preparo e no tempero
- Preferir queijos brancos, como ricota, cottage e minas frescal, em vez dos amarelos
- Reduzir embutidos no café da manhã, substituindo bacon e linguiça por ovos, pastas de abacate ou húmus
- Escolher carnes magras, como peito de frango, peixe e cortes bovinos sem gordura
- Aumentar o consumo de fibras solúveis, presentes na aveia, feijão, lentilha e frutas
- Seguir uma dieta para baixar o colesterol, rica em vegetais, oleaginosas e peixes com ômega-3
Antes de alterar a alimentação ou interpretar resultados de exames, é fundamental procurar um médico ou nutricionista, que poderá avaliar o perfil lipídico, considerar fatores individuais e indicar o acompanhamento mais adequado para cada caso.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.









