Consumir proteína em excesso pode aumentar a carga de trabalho dos rins, especialmente em pessoas que já apresentam doença renal crônica. Isso acontece porque, durante o metabolismo das proteínas, o organismo produz resíduos que precisam ser eliminados pela urina. Quando os rins estão comprometidos, essa capacidade de filtração diminui, favorecendo o acúmulo de substâncias no sangue. Entretanto, isso não significa que toda pessoa com problema renal precise cortar carnes, ovos ou outros alimentos proteicos. A quantidade adequada depende do estágio da doença, do estado nutricional e da necessidade de realizar diálise, tornando o acompanhamento profissional fundamental para evitar tanto excessos quanto deficiências.
Por que o excesso de proteína pode sobrecarregar os rins?
As proteínas são nutrientes essenciais para a formação dos músculos, a recuperação dos tecidos e o funcionamento do sistema imunológico. Durante sua digestão e utilização pelo organismo, parte dos aminoácidos é metabolizada, produzindo resíduos nitrogenados, como a ureia. Os rins são responsáveis por filtrar o sangue e eliminar essas substâncias, mantendo o equilíbrio interno do corpo.
Em pessoas com insuficiência renal crônica, essa capacidade de filtração pode estar reduzida. Uma alimentação muito rica em proteínas aumenta a produção de resíduos e pode elevar a pressão dentro dos filtros renais, chamados glomérulos. Esse mecanismo pode contribuir para a progressão da doença em determinadas situações, especialmente quando o consumo proteico permanece elevado por longos períodos.
O que um estudo científico revela sobre proteínas e doença renal?
A relação entre consumo de proteína e progressão da doença renal tem sido investigada em ensaios clínicos que comparam diferentes quantidades desse nutriente na alimentação. O objetivo é entender se a redução controlada da ingestão proteica pode preservar a função dos rins e retardar a necessidade de tratamentos como a diálise.
Segundo a revisão sistemática com metanálise Low protein diets for non-diabetic adults with chronic kidney disease, publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews, em 2020, dietas com restrição proteica muito intensa, realizadas sob acompanhamento, provavelmente reduziram a progressão para insuficiência renal terminal em adultos com doença renal avançada. A análise reuniu 17 estudos envolvendo 2.996 participantes. Entretanto, uma redução moderada de proteínas apresentou benefícios menos conclusivos, reforçando a necessidade de individualizar as recomendações.

Quanto de proteína quem tem doença renal pode consumir?
A quantidade adequada depende principalmente da função renal e do tratamento realizado. As diretrizes internacionais KDIGO de 2024 recomendam, em geral, aproximadamente 0,8 grama de proteína por quilo de peso corporal diariamente para adultos com doença renal crônica nos estágios 3 a 5. Também orientam evitar consumos superiores a 1,3 grama por quilo em pessoas com risco de progressão. Alguns fatores modificam essas necessidades:
- Estágio da doença: quanto mais comprometida estiver a função renal, maior pode ser a necessidade de ajustes alimentares.
- Tratamento com diálise: pacientes em hemodiálise geralmente precisam de mais proteína para compensar perdas e preservar os músculos.
- Peso e massa muscular: pessoas com desnutrição ou perda muscular podem necessitar de estratégias nutricionais específicas.
- Presença de diabetes: o controle da glicemia e a condição dos rins influenciam o planejamento alimentar.
- Idade e estado de saúde: idosos e pessoas com outras doenças precisam de avaliação individualizada.
Quais cuidados ajudam a evitar o excesso de proteína?
O objetivo não é eliminar as proteínas, mas consumir quantidades compatíveis com as necessidades do organismo. Algumas medidas podem ajudar a manter esse equilíbrio:
- Controlar as porções: ajustar as quantidades de carnes, ovos, leite e leguminosas conforme a orientação nutricional.
- Evitar suplementos sem indicação: produtos como whey protein podem elevar significativamente o consumo diário de proteínas.
- Variar as fontes proteicas: combinar alimentos de origem animal e vegetal, respeitando possíveis restrições de potássio e fósforo.
- Observar a alimentação completa: garantir calorias suficientes para evitar perda muscular e desnutrição.
- Acompanhar os exames: verificar regularmente creatinina, função renal e outros parâmetros indicados pelo médico.
- Evitar dietas restritivas por conta própria: reduzir excessivamente as proteínas pode provocar fraqueza e comprometer a recuperação dos tecidos.

Quando é necessário mudar a quantidade de proteína na alimentação?
A necessidade de ajuste costuma surgir após a identificação de alterações persistentes na função dos rins. Exames como creatinina, taxa de filtração glomerular estimada e avaliação da albumina na urina ajudam a determinar a gravidade do problema. Nesses casos, seguir uma dieta para problemas renais individualizada pode contribuir para controlar alterações metabólicas e preservar o estado nutricional.
É importante destacar que o excesso de proteína não apresenta necessariamente os mesmos riscos para pessoas com rins saudáveis e pacientes com doença renal estabelecida. Além disso, dietas com pouca proteína não são indicadas automaticamente para todos os pacientes. Antes de modificar a alimentação ou utilizar suplementos, é fundamental buscar orientação de um nefrologista e de um nutricionista especializado em saúde renal.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento médico. Pessoas com doença renal crônica não devem aumentar ou restringir o consumo de proteínas sem orientação profissional, pois tanto o excesso quanto a deficiência desse nutriente podem trazer riscos à saúde.









