Quando uma ferida não cicatriza no pé ou na perna, uma das possíveis causas é a redução do fluxo de sangue para os tecidos. Isso pode acontecer na doença arterial periférica, em que as artérias ficam estreitadas e levam menos sangue e oxigênio para os membros inferiores. Feridas persistentes, pele fria ou mudanças na cor do pé merecem avaliação da circulação.
Por que a falta de circulação atrasa a cicatrização?
Para reparar uma lesão, a pele precisa receber sangue suficiente para transportar oxigênio, nutrientes e células envolvidas na cicatrização. Quando as artérias das pernas estão estreitadas, esse fornecimento pode ficar comprometido e uma pequena ferida pode demorar muito para fechar.
Segundo a American Heart Association sobre sintomas da doença arterial periférica, feridas nos pés ou dedos que cicatrizam muito lentamente ou não cicatrizam estão entre os sinais possíveis de circulação arterial reduzida nas pernas.

Quais outros sinais podem indicar circulação reduzida?
Uma ferida de difícil cicatrização pode aparecer junto com outras alterações no mesmo membro. Entre os sinais que merecem atenção estão:
- um pé ou parte da perna mais fria que o outro lado;
- pele pálida, avermelhada, azulada ou com mudança persistente de cor;
- pouco crescimento de pelos nas pernas;
- unhas dos pés crescendo mais lentamente;
- dor ou cãibra na panturrilha ao caminhar;
- dor no pé mesmo durante o repouso, principalmente em quadros mais avançados.
A presença desses sintomas não confirma sozinha um problema arterial, mas reforça a necessidade de investigar a circulação.
Como cuidar da ferida enquanto ela é avaliada?
A região deve ser mantida limpa e protegida contra novos traumas. É importante observar diariamente se há mudança de tamanho, cor, secreção ou aumento da dor.
Também é recomendado evitar cortar calos, furar bolhas ou retirar pele endurecida com lâminas e objetos cortantes. Em pessoas com circulação prejudicada ou sensibilidade reduzida, pequenas lesões provocadas por esses procedimentos podem evoluir para feridas maiores.
Para entender outras manifestações da doença arterial periférica, também é importante observar sintomas durante a caminhada e diferenças de temperatura ou coloração entre os pés.
Quando uma ferida precisa ser examinada?
Uma ferida que permanece aberta, não apresenta sinais claros de melhora ou volta repetidamente no mesmo local deve ser avaliada. Isso é especialmente importante quando existem fatores que aumentam o risco de problemas vasculares, como diabetes, tabagismo, pressão alta ou colesterol elevado.
A avaliação pode incluir exame dos pulsos dos pés e comparação da pressão arterial dos braços e tornozelos por meio do índice tornozelo-braquial. Dependendo dos resultados, outros exames da circulação podem ser necessários.

Quais sinais exigem atendimento mais rápido?
Algumas alterações podem indicar comprometimento mais importante da circulação ou uma infecção associada. Procure atendimento rapidamente se houver:
- ferida que está aumentando ou ficando mais profunda;
- pé muito frio, pálido, azulado ou escurecido;
- dor intensa no pé mesmo em repouso;
- pus, mau cheiro ou vermelhidão que está se espalhando;
- febre ou mal-estar junto com a ferida;
- áreas da pele ficando pretas.
Feridas persistentes associadas à circulação reduzida podem precisar de cuidados específicos e, em casos mais graves, de procedimentos para melhorar o fluxo de sangue. Por isso, não é indicado esperar indefinidamente pela cicatrização quando a lesão permanece aberta ou apresenta sinais de piora.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









