Aquele ronco na barriga que surge no meio de uma reunião ou numa sala silenciosa costuma ser interpretado como sinal de fome, mas na maioria das vezes é apenas o intestino fazendo seu trabalho. Esses sons, chamados de borborigmos, fazem parte da digestão normal e aparecem quando o corpo entra em uma espécie de faxina interna, empurrando gases, líquidos e restos de alimentos ao longo do tubo digestivo. Entender por que isso acontece ajuda a encarar o barulho com mais tranquilidade e a reconhecer quando ele merece atenção.
Por que a barriga ronca mesmo sem fome?
Entre as refeições, quando o estômago e o intestino já esvaziaram, o corpo ativa um ciclo de contrações que varre o que sobrou da digestão. Esse movimento empurra restos de comida, secreções e bactérias em direção ao intestino grosso.
É justamente essa faxina natural que produz os sons típicos, mesmo sem nenhuma sensação de fome. Como há gases e líquidos circulando em um espaço mais vazio, o ruído fica mais audível e pode parecer alto.
O ronco da barriga é sinal de algo errado?
Na grande maioria dos casos, não. Os borborigmos são um sinal de que o sistema digestivo está funcionando bem, com os músculos do intestino se contraindo de forma ritmada para movimentar seu conteúdo.
Esse processo acontece em todas as pessoas saudáveis e tende a ser mais perceptível em jejum ou à noite. Portanto, ouvir a barriga roncar de vez em quando é parte da fisiologia normal, e não motivo para preocupação.

Quais fatores deixam os ruídos mais intensos?
Alguns hábitos e situações do dia a dia aumentam a frequência ou o volume dos sons intestinais. Conhecer esses fatores ajuda a entender o que está por trás do barulho:
- Ficar muito tempo em jejum, quando a faxina interna se torna mais ativa;
- Consumir bebidas gaseificadas ou engolir ar ao comer rápido;
- Ingerir alimentos fermentáveis, que aumentam a produção de gases;
- Passar por estresse ou ansiedade, que afetam o ritmo do intestino;
- Ter intolerâncias alimentares, como à lactose, que intensificam os sons.
O que a ciência mostra sobre os sons do intestino?
As evidências científicas confirmam que esses ruídos acompanham o movimento natural do sistema digestivo. Pesquisadores mediram os sons do abdômen de pessoas em jejum e relacionaram essa atividade com o ciclo de contrações que limpa o estômago e o intestino.
Segundo o estudo Gastrointestinal sounds and migrating motor complex in fasted humans publicado na revista American Journal of Gastroenterology, os sons intestinais variaram junto com as fases do complexo motor migratório, o ciclo responsável por transportar restos alimentares em jejum, confirmando que o ronco reflete o trabalho normal da digestão.

Quando o ronco na barriga merece atenção?
O barulho isolado quase nunca é preocupante, mas alguns sinais associados pedem avaliação médica. Vale procurar um gastroenterologista quando os ruídos vêm acompanhados de dor abdominal intensa, inchaço importante, perda de peso sem explicação, diarreia persistente ou presença de sangue nas fezes.
Nesses casos, os sons podem estar ligados a condições que precisam de investigação, como síndrome do intestino irritável, intolerâncias ou outras alterações digestivas. Se o incômodo for apenas pelo excesso de gases intestinais, ajustes simples na alimentação costumam resolver.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Procure um médico para diagnóstico e orientação adequados ao seu caso.









