O suco de laranja 100% natural, sem açúcar adicionado, pode fazer parte de uma alimentação equilibrada e há pesquisas que relacionam seu consumo habitual a níveis menores de colesterol total e LDL. Um trabalho ligado à Unesp encontrou esse padrão em pessoas que bebiam cerca de dois copos de suco por dia havia pelo menos um ano. O resultado, porém, não significa que a bebida funcione como tratamento para colesterol alto nem que quanto mais suco, melhor.
O que a pesquisa da Unesp encontrou?
O estudo, publicado em 2013 e disponível no PubMed sobre consumo prolongado de suco de laranja e colesterol, avaliou 129 adultos que trabalhavam em uma fábrica de suco. Cerca de 41% consumiam aproximadamente 480 mL da bebida por dia havia pelo menos 12 meses, enquanto os demais não tinham o hábito de beber suco de laranja.
Entre os participantes com níveis normais de lipídios, os consumidores apresentaram colesterol total 11% menor e LDL 18% menor em comparação aos não consumidores. Entre aqueles com hipercolesterolemia moderada, as diferenças foram de 5% e 12%, respectivamente. Também foram observados valores menores de apolipoproteína B, proteína presente nas partículas associadas ao transporte de colesterol.
Isso significa que o suco de laranja reduz o colesterol?
Não é possível concluir isso apenas com esse trabalho. A pesquisa comparou pessoas que já tinham ou não o hábito de consumir suco, em vez de distribuir aleatoriamente os participantes para receber a bebida. Portanto, o estudo identificou uma associação entre o consumo prolongado de suco de laranja e um perfil de colesterol mais favorável, mas outros hábitos dos participantes também podem ter influenciado os resultados.
A laranja contém vitamina C e diferentes compostos bioativos, como flavonoides. O suco de laranja natural fornece vitamina C e carotenoides, mas deve ser entendido como um alimento dentro do conjunto da dieta, e não como alternativa aos medicamentos ou às mudanças de estilo de vida indicadas para tratar colesterol alto.

E o folato e a vitamina C?
Outro achado chamou atenção para a qualidade da alimentação. Os participantes que consumiam suco de laranja apresentaram ingestão maior de vitamina C e folato do que aqueles que não tomavam a bebida. Esses micronutrientes exercem funções importantes no organismo, embora esse resultado também não permita afirmar que o suco seja indispensável para obtê-los.
Na prática, uma alimentação variada pode fornecer esses nutrientes por diferentes fontes. Além da laranja e de outras frutas cítricas, verduras, legumes e outras frutas contribuem para a ingestão de vitaminas e minerais. A fruta inteira ainda tem a vantagem de preservar mais fibras e favorecer maior saciedade.
Qual suco faz sentido incluir na alimentação?
Os resultados do estudo se referem ao suco de laranja, e não a néctares, refrescos ou bebidas com açúcar adicionado. Se a escolha for pelo suco, algumas características fazem diferença:
- preferir suco 100% de laranja, preparado somente com a fruta;
- não acrescentar açúcar, mel ou xaropes;
- evitar transformar o resultado do estudo em uma recomendação para beber grandes volumes;
- manter também frutas inteiras na rotina, que fornecem mais fibras;
- não substituir tratamento para colesterol alto pelo consumo de suco.

Quem tem diabetes pode tomar suco de laranja?
Pessoas com diabetes precisam prestar atenção principalmente à porção. Mesmo sem açúcar adicionado, o suco contém os carboidratos naturalmente presentes nas laranjas e pode concentrar várias frutas em um único copo. O CDC explica que o suco de fruta tende a elevar a glicose mais rapidamente do que a fruta inteira, que conserva mais fibras e exige mastigação.
Isso não significa que o suco seja necessariamente proibido, mas quantidade e frequência devem ser ajustadas ao plano alimentar e ao controle da glicemia. Para quem tem diabetes, colesterol alto ou usa medicamentos para essas condições, a orientação individual de médico ou nutricionista ajuda a definir a melhor forma de incluir a laranja na alimentação.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou nutricional. Alterações no colesterol e na glicose devem ser acompanhadas por profissionais de saúde, especialmente quando já existe diagnóstico de diabetes ou doença cardiovascular.









