A castanha-do-pará concentra proteínas, gorduras insaturadas, magnésio e compostos antioxidantes, mas seu maior destaque nutricional é o selênio. Esse mineral participa do funcionamento da tireoide, das defesas antioxidantes e da resposta imunológica, enquanto a composição da castanha também desperta interesse pela possível relação com a saúde cardiovascular. Os benefícios, porém, dependem de uma quantidade adequada: comer castanhas em excesso pode fornecer selênio demais.
1. A castanha-do-pará é uma fonte muito concentrada de selênio
Entre as oleaginosas, a castanha-do-pará se destaca pela quantidade de selênio. Uma revisão sobre o selênio presente na castanha-do-pará descreve o alimento como uma das fontes naturais mais ricas e com boa disponibilidade do mineral para o organismo.
Ensaios clínicos também mostram aumento das concentrações de selênio no sangue após seu consumo. Uma análise de estudos clínicos com castanha-do-pará encontrou melhora expressiva do estado nutricional de selênio e aumento da atividade de enzimas antioxidantes dependentes desse mineral.
2. O selênio participa do funcionamento da tireoide
A tireoide contém altas concentrações de selênio porque várias proteínas que dependem desse mineral participam do metabolismo dos hormônios tireoidianos e da proteção da própria glândula contra danos oxidativos. Isso explica por que garantir ingestão adequada de selênio é importante para o funcionamento normal da tireoide.
Isso não significa, porém, que comer mais castanhas trate hipotireoidismo ou outras doenças da glândula. O próprio conteúdo do Tua Saúde sobre a castanha-do-pará destaca sua riqueza em selênio e outros nutrientes, mas a alimentação não substitui medicamentos quando existe uma doença tireoidiana diagnosticada.

3. Ela pode reforçar as defesas antioxidantes e participa da imunidade
O selênio faz parte de enzimas antioxidantes, como a glutationa peroxidase, que ajudam a limitar danos causados por espécies reativas produzidas naturalmente pelo metabolismo. Nos ensaios clínicos reunidos em revisões, o consumo de castanha-do-pará aumentou a atividade de alguns desses sistemas antioxidantes.
O mineral também participa da função de células das defesas inata e adaptativa. Isso torna a ingestão adequada importante para o sistema imunológico, mas não há evidência para afirmar que aumentar o consumo de castanhas acima das necessidades fortaleça a imunidade indefinidamente ou impeça infecções.
4. Há efeitos estudados sobre coração e metabolismo
A castanha-do-pará fornece gorduras mono e poli-insaturadas, fibras, fitoesteróis e outros compostos de interesse cardiovascular. Estudos investigaram possíveis efeitos sobre colesterol, pressão, inflamação e função dos vasos. Alguns trabalhos encontraram resultados favoráveis, mas eles não são uniformes.
Na análise de ensaios clínicos citada anteriormente, por exemplo, não houve redução significativa de colesterol total, LDL ou HDL considerando os estudos em conjunto. Por isso, a melhor interpretação é que a castanha pode integrar uma alimentação cardioprotetora, mas não deve ser apresentada como um alimento que sozinho reduz o risco cardiovascular.

5. Quantas castanhas-do-pará podem ser consumidas por dia?
A moderação é especialmente importante porque a quantidade de selênio varia entre as castanhas. O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos informa que uma unidade pode conter cerca de 68 a 91 microgramas de selênio. Assim, para muitos adultos, uma ou duas castanhas já fornecem quantidade elevada do mineral e não há vantagem em consumir grandes porções todos os dias.
O excesso crônico de selênio pode causar náusea, gosto metálico, odor de alho no hálito, queda de cabelo, alterações nas unhas e problemas neurológicos. O limite superior tolerável adotado nos Estados Unidos para adultos é de 400 microgramas por dia considerando alimentos e suplementos, embora outras autoridades utilizem limites mais conservadores. Quem já toma suplemento com selênio deve ter ainda mais cuidado para não somar doses desnecessárias.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou nutricional. Pessoas com doenças da tireoide ou que utilizam suplementos de selênio devem seguir orientação profissional e evitar aumentar a ingestão por conta própria.









