Feijão costuma levar a culpa quando a barriga fica estufada depois de uma refeição, mas ele está longe de ser o único responsável. Grande parte dos gases surge quando carboidratos e fibras que não foram totalmente digeridos ou absorvidos chegam ao intestino grosso e são fermentados pelas bactérias. Além disso, engolir ar enquanto se come e algumas intolerâncias podem aumentar o desconforto.
De onde vêm os gases depois das refeições?
O aparelho digestivo acumula gases principalmente de duas maneiras. Uma delas é o ar engolido ao comer, beber e falar. A outra é a produção realizada pelas bactérias do intestino grosso durante a fermentação de substâncias que chegaram até essa região sem serem completamente absorvidas.
Por isso, ter gases não significa necessariamente que exista algum problema de saúde. O próprio Tua Saúde explica que o excesso de gases pode estar relacionado à alimentação, à fermentação intestinal e a diferentes hábitos, e que a causa deve ser considerada de acordo com os outros sintomas presentes.
Por que alguns carboidratos produzem mais gases?
Certos carboidratos são pouco absorvidos no intestino delgado. Quando chegam ao cólon, servem de alimento para a microbiota intestinal e são rapidamente fermentados, processo que pode produzir hidrogênio, dióxido de carbono e, em algumas pessoas, metano.
Uma publicação científica sobre carboidratos de cadeia curta disponível no PubMed descreve que carboidratos pouco absorvidos podem aumentar a quantidade de água dentro do intestino e ser fermentados pelas bactérias, produzindo gases. Em pessoas mais sensíveis à distensão intestinal, isso pode provocar inchaço, dor e desconforto mesmo sem existir uma quantidade extraordinária de gás.

Então por que o feijão ganhou essa fama?
Feijão, lentilha e outras leguminosas possuem fibras, amido resistente e oligossacarídeos que podem chegar ao intestino grosso e ser fermentados. Mas o mesmo mecanismo também pode acontecer com outros alimentos, dependendo da composição da refeição e da capacidade de absorção de cada pessoa.
Entre os alimentos frequentemente associados à produção de gases estão:
- feijão, lentilha, ervilha e grão-de-bico;
- cebola e alho;
- brócolis, couve-flor e repolho;
- algumas frutas, como maçã e pera;
- leite e derivados em pessoas com má absorção de lactose;
- produtos contendo polióis, como sorbitol e manitol.
O Tua Saúde reúne outros exemplos de alimentos que podem aumentar a formação de gases, destacando que a tolerância varia bastante entre as pessoas.
Comer rápido também pode deixar a barriga estufada?
Sim. Comer com pressa, falar muito enquanto mastiga, beber com canudo ou consumir bebidas gaseificadas pode aumentar a quantidade de ar que entra no aparelho digestivo. Esse ar pode sair em forma de arroto ou seguir pelo intestino e contribuir para a sensação de estufamento.
Além disso, porções muito grandes e o aumento repentino do consumo de fibras podem intensificar o desconforto. Em vez de retirar vários alimentos ao mesmo tempo, costuma ser mais útil observar quais refeições provocam sintomas, ajustar as quantidades e aumentar fibras gradualmente.

Quando os gases deixam de ser apenas uma reação da digestão?
Gases ocasionais depois de comer são comuns. A investigação se torna mais importante quando o desconforto é muito frequente, aparece mesmo após mudanças simples na alimentação ou vem acompanhado de diarreia persistente, prisão de ventre importante, dor abdominal recorrente ou sintomas relacionados a alimentos específicos. Intolerância à lactose, síndrome do intestino irritável e outras alterações digestivas podem estar envolvidas.
Procure avaliação médica diante de perda de peso sem explicação, sangue nas fezes, dor intensa, vômitos persistentes ou uma mudança importante e prolongada no funcionamento intestinal. Identificar o mecanismo por trás dos gases é mais útil do que culpar automaticamente o feijão ou eliminar vários alimentos sem necessidade.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou nutricional. Gases persistentes ou acompanhados de outros sintomas devem ser investigados por um profissional de saúde.








