Uma terapia experimental feita com células derivadas de células-tronco conseguiu restaurar a produção de insulina em pessoas com diabetes tipo 1 e permitiu que 10 de 12 participantes que receberam a dose completa deixassem de usar insulina externa após um ano. O resultado é promissor, mas ainda não representa uma cura disponível: o estudo é pequeno, os pacientes precisam usar medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição das células e a terapia continua em investigação clínica.
Como essas células conseguem produzir insulina?
No diabetes tipo 1, o sistema imunológico destrói as células beta do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. A terapia estudada, chamada zimislecel, utiliza células-tronco transformadas em células de ilhotas pancreáticas maduras, capazes de responder à glicose e liberar insulina.
Essas células não fazem o pâncreas original voltar a funcionar. Elas são infundidas na veia porta e se estabelecem no organismo para exercer uma função semelhante à das ilhotas perdidas pela doença. A presença de peptídeo C no sangue após o tratamento foi utilizada pelos pesquisadores como sinal de que as novas células estavam produzindo insulina.
O que o estudo encontrou após um ano?
Os resultados foram publicados no New England Journal of Medicine e estão disponíveis no PubMed. O trabalho avaliou uma terapia experimental em pessoas com diabetes tipo 1 que apresentavam episódios graves de hipoglicemia e dificuldade para perceber quando a glicose estava muito baixa.
Entre os 12 participantes que receberam uma dose completa e foram acompanhados por pelo menos um ano, todos ficaram livres de episódios graves de hipoglicemia e apresentaram hemoglobina glicada abaixo de 7%. Além disso, 10 dos 12 participantes, o equivalente a 83%, não precisavam mais aplicar insulina no 365º dia. Antes do tratamento, nenhum deles apresentava produção detectável de peptídeo C.

Isso significa que o diabetes tipo 1 foi curado?
Ainda não. Os pesquisadores classificaram os resultados como evidência de que as células transplantadas podem restaurar a função das ilhotas, mas o número de participantes é pequeno e o acompanhamento ainda é curto para determinar por quanto tempo o benefício será mantido.
Também existe uma limitação importante: todos os participantes precisaram receber tratamento imunossupressor. Esses medicamentos reduzem a atividade do sistema imunológico para impedir que as células transplantadas sejam rejeitadas, mas podem aumentar o risco de infecções e outros efeitos adversos.
Quais riscos apareceram durante a pesquisa?
O estudo incluiu 14 participantes no total, considerando também duas pessoas que receberam uma dose menor. A neutropenia, redução de um tipo de glóbulo branco importante para combater infecções, foi o evento adverso grave mais frequente e ocorreu em três participantes.
Também foram registradas duas mortes durante o estudo. Uma ocorreu por meningite criptocócica, uma infecção grave, e outra foi relacionada à progressão de um comprometimento neurocognitivo que já existia antes da terapia. Esses acontecimentos reforçam por que os resultados precisam ser avaliados junto com os riscos da imunossupressão e acompanhados em estudos maiores.

O que falta para esse tratamento chegar aos pacientes?
A zimislecel avançou para a parte de fase 3 do programa clínico, etapa destinada a reunir evidências mais robustas de eficácia e segurança. Em 2026, a empresa responsável pelo desenvolvimento informou que a administração da terapia havia sido retomada após uma análise interna de fabricação e que novos participantes estavam sendo tratados.
Ainda será necessário concluir essa etapa, acompanhar os pacientes por mais tempo e submeter os resultados às autoridades regulatórias antes de qualquer eventual aprovação. Portanto, pessoas com diabetes tipo 1 devem continuar utilizando a insulina e seguindo o tratamento indicado pelo endocrinologista. Hoje, a insulinoterapia permanece fundamental para substituir o hormônio que o organismo não consegue produzir adequadamente.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. A zimislecel é uma terapia experimental e não deve ser interpretada como alternativa atualmente disponível ao tratamento convencional do diabetes tipo 1.









