Diclofenaco e cetoprofeno são anti-inflamatórios não esteroides usados para aliviar dor e inflamação, mas podem reduzir as defesas naturais do estômago e favorecer erosões, úlceras e sangramentos. O risco é maior em idosos, pessoas que já tiveram úlcera ou sangramento digestivo e quem usa determinados medicamentos ao mesmo tempo. Quem apresenta gastrite ou desconfortos gástricos recorrentes também deve conversar com um profissional antes de se automedicar, principalmente se precisar usar o remédio por vários dias.
Por que diclofenaco e cetoprofeno podem machucar o estômago?
Esses medicamentos pertencem ao grupo dos anti-inflamatórios não esteroides, ou AINEs. Eles bloqueiam enzimas envolvidas na produção de prostaglandinas, substâncias que participam da dor e da inflamação, mas também ajudam a manter a proteção da mucosa do estômago. Quando essa proteção diminui, o ácido gástrico pode causar mais danos à parede do órgão.
Uma revisão publicada em 2025 e disponível no PubMed explica que o uso de AINEs está relacionado ao desenvolvimento de úlcera péptica e a complicações como sangramento e perfuração, especialmente quando existem outros fatores de risco. Isso não significa que todas as pessoas que tomam diclofenaco ou cetoprofeno desenvolverão uma úlcera.
Quem tem maior risco de desenvolver úlcera ou sangramento?
Nem todos apresentam o mesmo risco gastrointestinal. Uma revisão publicada em 2021 aponta idade avançada, histórico de úlcera péptica e uso concomitante de alguns medicamentos entre os fatores que aumentam a possibilidade de sangramento digestivo durante o uso de anti-inflamatórios.
É necessário ter atenção especial principalmente em caso de:
- idade avançada, especialmente em idosos;
- úlcera no estômago ou duodeno no passado;
- histórico de sangramento gastrointestinal;
- uso simultâneo de anticoagulantes ou medicamentos antiplaquetários;
- uso de corticoides junto com o anti-inflamatório;
- uso de mais de um anti-inflamatório ao mesmo tempo;
- doses mais altas ou tratamentos prolongados.
Quem já apresentou gastrite, queimação ou dor frequente no estômago também deve informar esses sintomas ao médico. Porém, ter gastrite não representa necessariamente o mesmo grau de risco de quem já teve uma úlcera ou sangramento digestivo.

Quais sintomas podem indicar uma complicação?
Dor ou queimação na parte superior do abdome, náusea e sensação de desconforto gástrico podem aparecer durante o uso desses medicamentos. Esses sintomas não confirmam uma úlcera, mas merecem avaliação quando são persistentes ou intensos. A úlcera gástrica pode, em situações mais graves, provocar sangramento.
Alguns sinais exigem atendimento médico rápido:
- vômito com sangue;
- vômito escuro semelhante a borra de café;
- fezes pretas ou muito escuras, com aspecto de piche;
- dor abdominal forte ou que piora rapidamente;
- tontura, fraqueza intensa, palidez ou desmaio associados a possível sangramento.
Tomar por poucos dias elimina o risco?
Não. Tratamentos mais prolongados e doses maiores aumentam a preocupação, mas complicações gastrointestinais também podem acontecer durante períodos menores de uso. Por isso, não é adequado prolongar por conta própria um tratamento iniciado para dor nas costas, dor muscular, dor de dente ou outro problema apenas porque o medicamento parece estar funcionando.
Também não se deve combinar diclofenaco, cetoprofeno ou outro AINE sem orientação. O cetoprofeno, por exemplo, possui contraindicações e possíveis efeitos adversos que precisam ser considerados antes do uso.

Como reduzir os riscos ao usar um anti-inflamatório?
A decisão depende do motivo do tratamento e dos fatores de risco de cada pessoa. O médico pode avaliar se o anti-inflamatório é realmente necessário, escolher a menor dose eficaz pelo menor período apropriado e, em pessoas de maior risco, considerar estratégias de proteção do estômago ou outra opção de tratamento.
Não é recomendado iniciar, prolongar ou associar anti-inflamatórios por conta própria, nem tomar um protetor gástrico como forma de tornar a automedicação segura. Pessoas idosas ou com histórico de gastrite, úlcera, sangramento digestivo ou uso de anticoagulantes devem ter atenção ainda maior. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica.








