A idade para começar a mamografia de rastreamento não é igual em todas as diretrizes. Nos Estados Unidos, algumas recomendações passaram a indicar o início aos 40 anos, enquanto no Brasil a estratégia populacional do Ministério da Saúde prioriza mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. A diferença não significa que uma orientação esteja necessariamente “certa” e a outra “errada”: cada entidade considera benefícios, riscos e características da população ao definir sua estratégia.
Por que algumas diretrizes recomendam começar aos 40 anos?
Em 2024, a U.S. Preventive Services Task Force atualizou sua recomendação e passou a indicar mamografia a cada dois anos dos 40 aos 74 anos para mulheres com risco habitual. A mudança antecipou em dez anos a idade de início que a entidade utilizava anteriormente como recomendação geral.
A recomendação da USPSTF publicada no JAMA concluiu que o rastreamento bienal entre 40 e 74 anos apresenta benefício líquido moderado na redução da mortalidade por câncer de mama. A orientação se refere ao rastreamento de pessoas sem sintomas e não deve ser confundida com a investigação de um nódulo ou outra alteração suspeita.
E por que no Brasil o foco começa aos 50 anos?
No Brasil, o Ministério da Saúde atualizou em 2025 a faixa etária prioritária para o rastreamento populacional. Atualmente, recomenda mamografia a cada dois anos entre 50 e 74 anos, considerando essa a faixa com melhor equilíbrio entre benefícios e possíveis prejuízos do rastreamento sistemático.
Segundo a orientação atual do Instituto Nacional de Câncer, mulheres entre 40 e 49 anos também podem realizar a mamografia após receberem orientação profissional sobre vantagens e possíveis riscos. Isso mostra que a recomendação populacional não equivale a uma proibição de fazer o exame antes dos 50.

Existem recomendações intermediárias?
Sim. A American Cancer Society, por exemplo, oferece outra estratégia. Mulheres de 40 a 44 anos podem optar por iniciar mamografias anuais; entre 45 e 54 anos, a entidade recomenda o exame todos os anos; a partir dos 55, permite passar para o intervalo de dois anos ou manter o rastreamento anual.
Essas diferenças ajudam a entender por que uma mulher pode receber orientações distintas dependendo da entidade consultada. O conteúdo sobre quando fazer a mamografia e como o exame é realizado também explica seu papel na identificação de alterações antes que elas sejam percebidas ao toque.
Por que não começar simplesmente o mais cedo possível?
Antecipar o rastreamento pode identificar alguns tumores mais cedo, mas também aumenta o número de exames realizados ao longo da vida. Com isso, cresce a possibilidade de resultados falso-positivos, novas imagens e biópsias que posteriormente mostram não haver câncer.
Outro aspecto considerado pelas diretrizes é o sobrediagnóstico, quando o rastreamento identifica um tumor que talvez nunca causasse sintomas ou ameaçasse a vida daquela mulher. Assim, a definição da idade procura equilibrar benefícios e possíveis consequências do exame. Entre os pontos avaliados estão:
- probabilidade de câncer em cada faixa etária;
- redução esperada da mortalidade;
- quantidade de falsos positivos;
- necessidade de exames e biópsias adicionais;
- possibilidade de sobrediagnóstico;
- características individuais de risco.

Como saber se devo começar aos 40 ou aos 50?
Para mulheres de risco habitual, a decisão pode considerar a recomendação adotada pelo serviço de saúde e uma conversa com ginecologista ou mastologista sobre benefícios e limitações de começar aos 40. Já quem apresenta risco aumentado pode precisar de uma estratégia diferente e, em alguns casos, iniciar exames mais cedo ou utilizar métodos adicionais.
Histórico familiar importante, alterações genéticas associadas ao câncer de mama, radioterapia prévia no tórax e determinadas lesões mamárias anteriores podem modificar a conduta. Além disso, surgimento de nódulo, retração do mamilo, secreção com sangue ou outra alteração suspeita deve ser investigado independentemente da idade prevista para o rastreamento.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. A idade e a frequência da mamografia devem considerar o risco individual, as recomendações adotadas no local de atendimento e a orientação do ginecologista ou mastologista.








