Quando o ácido úrico aparece elevado no exame, a carne vermelha costuma ser uma das primeiras preocupações. No entanto, bebidas adoçadas com açúcar ou frutose e o consumo de cerveja também podem favorecer o aumento do ácido úrico. Além da alimentação, fatores genéticos e a capacidade dos rins de eliminar urato ajudam a determinar quanto dessa substância permanece no sangue.
Por que bebidas adoçadas podem aumentar o ácido úrico?
A frutose tem uma característica diferente de outros carboidratos. Ao ser metabolizada principalmente no fígado, pode provocar consumo rápido de ATP, uma molécula utilizada pelas células como fonte de energia. Esse processo favorece a degradação de nucleotídeos de purina e, consequentemente, a formação de ácido úrico.
Uma revisão sistemática e metanálise publicada na Critical Reviews in Food Science and Nutrition encontrou associação entre maior consumo de bebidas adoçadas e frutose e maior risco de gota e hiperuricemia. Por isso, refrigerantes e outras bebidas com grande quantidade de açúcares adicionados também merecem atenção na alimentação para controlar o ácido úrico.
E por que a cerveja merece atenção especial?
A cerveja reúne dois fatores importantes. O álcool pode alterar o metabolismo das purinas e favorecer a produção de ácido úrico, enquanto a própria bebida contém purinas que também podem contribuir para sua formação. Uma revisão sobre os efeitos do etanol no metabolismo das purinas descreve ainda que o álcool pode elevar o lactato no sangue, interferindo na eliminação do urato.
Isso ajuda a explicar por que limitar apenas carnes vermelhas e continuar consumindo cerveja frequentemente pode não ser suficiente em algumas pessoas. A quantidade ingerida, a frequência e outros fatores metabólicos também interferem no efeito observado.

Ácido úrico alto é sempre resultado da alimentação?
Não. A concentração de ácido úrico depende do equilíbrio entre quanto o organismo produz e quanto consegue eliminar. Os rins exercem papel central nesse equilíbrio, porque filtram o urato e controlam quanto dele será eliminado ou reabsorvido. Quando a função renal está reduzida ou a excreção de urato é menor, os níveis sanguíneos podem subir.
Uma revisão científica sobre os transportadores de urato destaca justamente o papel dominante dos rins na manutenção dessas concentrações. Por isso, entre as possíveis causas do ácido úrico alto estão não apenas hábitos alimentares, mas também alterações renais, doenças metabólicas e uso de determinados medicamentos.
A genética também pode deixar o ácido úrico mais alto?
Sim. Existem genes envolvidos nos transportadores responsáveis pela movimentação do urato nos rins e no intestino. Variações nesses genes podem fazer com que algumas pessoas tenham maior tendência a reter ácido úrico mesmo quando não apresentam uma alimentação particularmente rica em purinas.
Isso significa que duas pessoas com hábitos semelhantes podem apresentar valores diferentes no exame. O peso corporal, resistência à insulina, função renal, medicamentos, genética, consumo de álcool e padrão alimentar precisam ser considerados em conjunto, evitando atribuir a alteração a um único alimento.

O que vale observar na rotina?
Quando o ácido úrico está elevado, faz sentido avaliar o padrão alimentar como um todo, e não somente retirar a carne vermelha. Alguns pontos que merecem atenção são:
- frequência de refrigerantes e outras bebidas adoçadas;
- consumo de cerveja e outras bebidas alcoólicas;
- quantidade de carnes, vísceras e alguns frutos do mar;
- hidratação ao longo do dia;
- presença de doença renal ou alterações metabólicas;
- uso de medicamentos que podem interferir no ácido úrico.
A necessidade de tratamento depende do valor encontrado, das causas envolvidas e da presença de problemas como gota ou cálculos renais. Não é indicado suspender medicamentos ou fazer restrições alimentares importantes por conta própria. A avaliação médica ajuda a identificar por que o ácido úrico está elevado e quais mudanças realmente são necessárias em cada caso.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.








