A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, é uma doença infecciosa causada pelo poliovírus que pode atingir o sistema nervoso e provocar perda permanente dos movimentos. A famosa vacina em gotinhas teve papel histórico na redução da doença no Brasil e no mundo. Hoje, porém, o esquema de vacinação infantil brasileiro utiliza a vacina inativada contra poliomielite, aplicada por injeção, após a retirada da vacina oral da rotina nacional em novembro de 2024.
O que é a poliomielite e como ela é transmitida?
O poliovírus infecta principalmente o trato gastrointestinal e é transmitido sobretudo pela via fecal-oral. Isso significa que o vírus pode chegar à boca pelas mãos, água ou alimentos contaminados com fezes de uma pessoa infectada. A doença é mais associada à infância, mas pessoas não vacinadas de qualquer idade podem ser infectadas.
A maioria das infecções não evolui para paralisia. No entanto, quando o vírus consegue alcançar o sistema nervoso, pode causar a forma mais grave da poliomielite, com fraqueza muscular e comprometimento dos movimentos.
Como o vírus pode causar paralisia?
Depois de entrar no organismo, o poliovírus inicialmente se multiplica em regiões da garganta e do intestino. Em uma pequena parcela das infecções, ele pode alcançar o sistema nervoso central e lesar principalmente neurônios responsáveis pelo controle dos músculos. Uma revisão científica sobre a infecção pelo poliovírus e a vacinação descreve justamente essa capacidade do vírus de permanecer restrito ao intestino na maioria das infecções, mas provocar doença neurológica em determinados casos.
Quando os neurônios motores são afetados, pode surgir uma paralisia flácida, geralmente assimétrica e mais frequente nas pernas. A força muscular perdida nem sempre é recuperada completamente, e algumas pessoas permanecem com limitações motoras durante toda a vida. Em situações mais graves, músculos envolvidos na respiração também podem ser comprometidos.

Qual foi o papel da vacina em gotinhas?
A vacina oral contra poliomielite, conhecida como VOP, contém poliovírus atenuados e foi administrada por décadas diretamente na boca das crianças. Ela se tornou um dos principais instrumentos das campanhas de vacinação em massa e ficou fortemente associada ao personagem Zé Gotinha no Brasil.
As campanhas tiveram papel importante na redução da circulação do vírus. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil não registra circulação de poliovírus selvagem desde 1990. Em escala mundial, a Organização Mundial da Saúde informa que os casos causados pelo vírus selvagem diminuíram mais de 99% desde 1988, resultado associado à expansão da vacinação e das estratégias de erradicação.
Por que a gotinha deixou de ser usada na rotina brasileira?
A mudança não ocorreu porque a vacina oral deixou de proteger contra a poliomielite. Ela foi fundamental para controlar a doença. À medida que a erradicação mundial avançou, porém, os programas de vacinação começaram a ampliar o uso da vacina inativada, que não contém vírus vivo e elimina o risco raro relacionado ao vírus vacinal atenuado.
Desde novembro de 2024, o Ministério da Saúde adotou no país um esquema exclusivamente com a vacina inativada contra poliomielite, a VIP, administrada por injeção. A vacina contra a poliomielite continua fazendo parte da proteção infantil, mesmo sem as tradicionais gotinhas que marcaram gerações de campanhas.

Por que ainda é necessário vacinar contra uma doença rara no Brasil?
A ausência de circulação do poliovírus selvagem no Brasil não significa que a vacinação possa ser abandonada. Enquanto houver circulação do vírus em qualquer região do mundo, existe possibilidade de importação para locais com grupos suscetíveis. Por isso, manter a cobertura vacinal elevada é uma parte essencial da estratégia de erradicação.
A vacinação também explica por que muitas pessoas atualmente nunca viram um caso de paralisia infantil. A raridade da doença é resultado do controle alcançado e não sinal de que o poliovírus deixou de representar um risco. Pais e responsáveis devem manter a caderneta de vacinação da criança atualizada de acordo com o Calendário Nacional de Vacinação e procurar uma unidade de saúde em caso de doses atrasadas.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um médico ou profissional de saúde nem as recomendações oficiais de vacinação.








