Enxaqueca e cefaleia tensional podem ser chamadas simplesmente de “dor de cabeça” no dia a dia, mas costumam seguir padrões diferentes. A enxaqueca tende a ser pulsátil, moderada a forte e pode vir com náusea e sensibilidade à luz e ao som, enquanto a cefaleia tensional geralmente causa pressão ou aperto, muitas vezes nos dois lados da cabeça. Observar essas características ajuda a descrever melhor as crises ao médico e pode facilitar a escolha do tratamento adequado.
Como é a dor da enxaqueca?
Na enxaqueca, a dor costuma ser descrita como latejante ou pulsátil e frequentemente aparece em um lado da cabeça, embora nem todas as crises sigam exatamente esse padrão. Caminhar, subir escadas ou realizar outras atividades habituais pode piorar o desconforto.
Segundo os critérios da Classificação Internacional das Cefaleias, elaborada pela International Headache Society, uma crise típica de enxaqueca sem aura pode durar de 4 a 72 horas quando não é tratada ou o tratamento não funciona. Entre as características que ajudam a reconhecê-la estão:
- dor pulsátil ou latejante;
- intensidade moderada a forte;
- dor frequentemente de um lado da cabeça;
- piora com atividades físicas habituais;
- náusea ou vômito;
- sensibilidade à luz e ao som.
E como é a dor de cabeça tensional?
A cefaleia tensional costuma provocar uma sensação diferente: em vez de pulsar, a cabeça parece estar sendo apertada ou pressionada. A dor geralmente é leve a moderada, pode atingir os dois lados da cabeça e não costuma piorar ao caminhar ou realizar atividades comuns.
Os critérios da International Headache Society descrevem a cefaleia tensional episódica como uma dor tipicamente bilateral, em pressão ou aperto e sem náusea ou vômito. Algumas pessoas também apresentam sensibilidade nos músculos do couro cabeludo, pescoço ou ombros. A sensação de uma faixa apertada ao redor da cabeça é uma descrição bastante característica, mas somente a avaliação clínica pode confirmar o diagnóstico.

Por que os tratamentos não são exatamente iguais?
O tratamento depende da frequência, intensidade, sintomas associados e histórico de cada pessoa. Em crises de cefaleia tensional, podem ser utilizados analgésicos apropriados, além de medidas relacionadas ao sono, relaxamento e controle de fatores desencadeantes. Quando as crises são frequentes, o médico pode considerar estratégias preventivas específicas.
Já o tratamento da enxaqueca pode incluir medicamentos para aliviar a crise e, em determinadas situações, remédios específicos para enxaqueca ou tratamentos preventivos. O NHS orienta que o tratamento pode variar conforme a intensidade e a frequência das crises, incluindo analgésicos, triptanos, gepants e medicamentos preventivos em situações selecionadas. Esses tratamentos devem ser individualizados, pois nem todos são adequados para todas as pessoas.
O que observar antes da consulta?
Em vez de dizer apenas que “a cabeça dói”, anotar detalhes das crises pode fornecer informações úteis ao médico. Vale registrar quando a dor começou, quanto tempo durou, onde apareceu, qual era a intensidade e o que estava acontecendo antes do episódio.
Também é útil observar algumas características específicas:
- se a dor pulsa ou provoca sensação de pressão;
- se aparece em um ou nos dois lados da cabeça;
- se há náusea, vômito ou incômodo com luz e sons;
- se movimentar-se piora a dor;
- quantas crises ocorrem por semana ou mês;
- quais medicamentos foram usados e se houve melhora.
Esse registro não serve para fazer um diagnóstico por conta própria, mas pode ajudar o profissional a identificar padrões e diferenciar os diferentes tipos de cefaleia.

Quando uma dor de cabeça precisa de avaliação rápida?
Dores recorrentes, que estão ficando mais frequentes ou interferem nas atividades diárias merecem avaliação médica. O uso repetido de medicamentos por conta própria também deve ser evitado, porque o excesso de analgésicos pode contribuir para outro problema, conhecido como cefaleia por uso excessivo de medicamentos.
Procure atendimento imediatamente se surgir uma dor muito intensa e repentina, diferente das dores habituais, especialmente quando acompanhada de fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, confusão, perda de visão, convulsão, febre alta com rigidez na nuca ou após um traumatismo importante na cabeça.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico do tipo de dor de cabeça e a indicação do tratamento adequado devem ser feitos por um profissional de saúde.








