Queimação, dor na parte alta do abdômen, enjoo e sensação de estômago cheio podem aparecer em quadros de gastrite, mas esses sintomas também têm outras causas. Quando o desconforto se repete, dura vários dias, exige uso frequente de remédios por conta própria ou vem acompanhado de sinais como perda de peso e sangramento, é importante investigar o motivo em vez de apenas mascarar os sintomas.
O que acontece no estômago quando existe gastrite?
A gastrite é uma inflamação da mucosa que reveste internamente o estômago. Essa camada ajuda a proteger o órgão do ácido e de outras substâncias envolvidas na digestão. Quando é agredida, podem surgir dor ou desconforto na parte superior do abdômen, náusea, vômitos, perda de apetite e sensação de saciedade precoce.
Segundo o Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos Estados Unidos, algumas pessoas com gastrite não apresentam sintomas. Isso também significa que a intensidade da queimação, sozinha, não permite determinar o grau de inflamação.
Qual é a diferença entre gastrite aguda e crônica?
A gastrite aguda aparece de forma mais repentina e pode estar relacionada a agressões temporárias à mucosa, como consumo excessivo de álcool, alguns medicamentos ou doenças graves. Já a gastrite crônica se desenvolve ou persiste por períodos maiores e pode estar associada, por exemplo, à infecção pela bactéria Helicobacter pylori.
Os sintomas nem sempre permitem diferenciar os dois quadros. Por isso, episódios recorrentes de gastrite podem exigir avaliação clínica e, dependendo do caso, testes para H. pylori ou endoscopia digestiva.

H. pylori e anti-inflamatórios podem estar por trás do problema?
Sim. A infecção pelo H. pylori é uma causa importante de gastrite crônica. A bactéria consegue permanecer na mucosa do estômago e provocar inflamação persistente. Quando identificada, o tratamento costuma envolver medicamentos específicos prescritos pelo médico para erradicar a infecção e controlar a acidez.
Outro fator relevante é o uso frequente de anti-inflamatórios não esteroidais, como ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno. Esses medicamentos podem reduzir substâncias que ajudam a proteger a mucosa gástrica, favorecendo irritação, erosões e até úlceras. Usar protetor gástrico por conta própria sem rever a causa pode aliviar sintomas e, ao mesmo tempo, atrasar uma investigação necessária.
O estresse realmente pode causar gastrite?
O estresse emocional pode piorar sintomas digestivos, aumentar a percepção da dor e contribuir para queixas como queimação, enjoo e má digestão. Isso não significa, porém, que toda gastrite seja causada por ansiedade ou nervosismo. Antes de atribuir sintomas persistentes ao estresse, é importante considerar causas orgânicas.
Existe ainda a chamada gastrite por estresse fisiológico, que é diferente do estresse cotidiano e pode ocorrer em pessoas gravemente doentes, hospitalizadas ou submetidas a grandes traumas. Por isso, usar apenas a expressão “gastrite nervosa” pode simplificar demais um quadro que merece avaliação adequada.

Quando o desconforto deixa de ser algo para tratar sozinho?
Automedicar repetidamente com antiácidos ou protetores gástricos pode dificultar a percepção da evolução do quadro. Alguns sintomas justificam avaliação médica mais rápida porque podem indicar sangramento, úlcera ou outra doença digestiva.
Procure atendimento especialmente se houver:
- perda de peso sem explicação;
- vômitos frequentes ou persistentes;
- vômito com sangue ou aspecto semelhante a borra de café;
- fezes pretas, muito escuras ou com sangue;
- dificuldade para se alimentar ou perda importante do apetite;
- tontura, fraqueza ou falta de ar associadas a possível sangramento;
- dor forte ou sintomas que não melhoram e continuam se repetindo.
O tratamento depende da causa. Pode envolver erradicação do H. pylori, revisão do uso de anti-inflamatórios, medicamentos para reduzir a produção de ácido e ajustes de hábitos. O objetivo não é apenas aliviar a queimação, mas identificar o que está mantendo a mucosa do estômago irritada.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Desconforto persistente no estômago, perda de peso, vômitos frequentes ou sinais de sangramento devem ser avaliados por um profissional de saúde.








