O pré-diabetes costuma ser silencioso. Sede excessiva, cansaço, aumento da vontade de urinar e visão embaçada podem aparecer quando a glicose está elevada, mas não são suficientes para confirmar pré-diabetes. O diagnóstico depende de exames de sangue, principalmente glicemia de jejum, hemoglobina glicada e, em algumas situações, teste oral de tolerância à glicose.
Quais sinais podem levantar a suspeita?
Muitas pessoas com pré-diabetes não apresentam nenhum sintoma e descobrem a alteração em exames de rotina. Quando há manifestações relacionadas ao aumento da glicose, elas podem ser discretas e também ocorrer em outras condições.
Alguns sinais que merecem atenção incluem:
- sede maior do que o habitual;
- vontade frequente de urinar;
- cansaço persistente;
- visão embaçada;
- manchas escuras e espessadas em regiões como pescoço e axilas, que podem estar relacionadas à resistência à insulina.
Por isso, não é indicado esperar sintomas para investigar. Pessoas com fatores de risco podem ter a glicose alterada por anos sem perceber.
Quais exames mostram se existe pré-diabetes?
Os mesmos exames usados para investigar diabetes também permitem identificar a faixa de pré-diabetes. Segundo os critérios da American Diabetes Association de 2026, em pessoas não grávidas, o pré-diabetes pode ser identificado por um dos seguintes resultados:
- glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL;
- hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4%;
- glicemia entre 140 e 199 mg/dL duas horas após o teste oral com 75 g de glicose.
A glicemia de jejum mostra a concentração de açúcar naquele momento, enquanto a hemoglobina glicada oferece uma estimativa dos níveis de glicose dos últimos meses. O Tua Saúde explica com mais detalhes para que serve a hemoglobina glicada e como interpretar o exame.

Quem deveria conversar com o médico sobre esses testes?
A investigação ganha importância quando existem fatores que aumentam a probabilidade de alterações da glicose. O Ministério da Saúde destaca a relação do pré-diabetes com condições como obesidade, hipertensão e alterações nos lipídios do sangue.
Também vale conversar com o médico sobre rastreamento quando há histórico familiar de diabetes tipo 2, sedentarismo, excesso de peso, diabetes gestacional anterior ou outros fatores metabólicos. Mesmo sem sede ou cansaço, o profissional pode considerar os exames de acordo com idade, histórico e risco individual.
Um exame alterado significa que já tenho diabetes?
Não. Pré-diabetes significa que a glicose está acima da faixa considerada normal, mas ainda abaixo dos critérios utilizados para diabetes. Além disso, o resultado deve ser interpretado pelo médico no contexto clínico, principalmente quando está próximo dos limites ou não combina com outros exames.
Algumas situações também podem interferir nos resultados. Doenças agudas, determinados medicamentos e condições que alteram as células do sangue podem afetar a interpretação de alguns testes. Por isso, não é recomendável fechar o diagnóstico apenas olhando um valor isolado fora da consulta.

O que fazer se o resultado estiver na faixa de pré-diabetes?
O resultado funciona como um sinal para avaliar os fatores que podem ser modificados. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do peso, quando necessário, fazem parte das principais medidas para reduzir o risco de progressão para diabetes tipo 2.
O acompanhamento também permite decidir quando repetir os exames e identificar outras alterações, como pressão alta e colesterol ou triglicerídeos elevados. Não é necessário esperar aparecer sede intensa, perda de peso ou outros sintomas mais evidentes para procurar orientação.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica. Se houver fatores de risco, sintomas persistentes ou resultado alterado de glicemia ou hemoglobina glicada, converse com um médico para confirmar a interpretação e definir o acompanhamento adequado.








