Ter uma menstruação intensa depois dos 40 anos, a ponto de encharcar absorventes em pouco tempo, pode estar relacionado às mudanças hormonais que antecedem a menopausa. Entretanto, o aumento do fluxo menstrual também pode indicar miomas, pólipos ou outras alterações ginecológicas. Por isso, uma mudança persistente no padrão do sangramento não deve ser atribuída automaticamente aos hormônios. Observar a duração do ciclo e a quantidade de sangue perdido ajuda a identificar quando é necessário investigar.
Por que a menstruação pode ficar mais intensa depois dos 40?
Durante a perimenopausa, período de transição para a menopausa, as oscilações hormonais podem tornar a ovulação irregular. Isso pode provocar mudanças na duração dos ciclos e na quantidade de sangue eliminado durante a menstruação.
Entretanto, miomas uterinos, pólipos endometriais, adenomiose e alterações na tireoide também podem aumentar o sangramento. Em alguns casos, é necessário investigar alterações no revestimento interno do útero, chamado endométrio.

Como identificar uma menstruação intensa?
O sangramento menstrual aumentado pode ser percebido quando o fluxo passa a interferir nas atividades diárias ou exige trocas de absorventes muito mais frequentes do que o habitual. Conheça também os sintomas e as causas da menorragia.
Segundo o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG), alguns sinais ajudam a reconhecer um fluxo menstrual excessivo:
- Absorventes encharcados: necessidade de trocar um ou mais absorventes por hora durante várias horas seguidas.
- Menstruação prolongada: sangramento que dura mais de sete dias.
- Trocas durante a noite: necessidade de acordar para substituir o absorvente.
- Coágulos grandes: eliminação frequente de coágulos maiores do que o habitual.
- Limitação da rotina: dificuldade para trabalhar, sair de casa ou realizar atividades por causa do fluxo.
O que um estudo científico revela sobre o fluxo menstrual?
As mudanças no sangramento durante a transição para a menopausa foram acompanhadas em uma pesquisa com mulheres de diferentes origens étnicas. Os resultados ajudam a compreender como o fluxo pode variar nessa fase, mas não significam que todo sangramento intenso seja esperado ou dispensável de investigação.
Segundo o estudo de coorte prospectivo Bleeding patterns during the menopausal transition in the multi-ethnic Study of Women’s Health Across the Nation (SWAN), publicado na revista BJOG em 2014, episódios de sangramento intenso ou prolongado foram observados durante a transição menopausal. A pesquisa, que acompanhou 1.320 mulheres, também identificou associações entre alterações do sangramento, fase da transição menopausal e presença de miomas uterinos.
O que anotar antes da consulta ginecológica?
Registrar as características da menstruação ajuda o ginecologista a avaliar a intensidade do sangramento e identificar possíveis alterações. Um calendário menstrual, no papel ou no celular, pode facilitar esse acompanhamento.
- Duração da menstruação: anote o primeiro e o último dia do sangramento.
- Frequência das trocas: registre quantos absorventes utiliza e se ficam completamente encharcados.
- Sangramentos fora do período: observe se aparecem manchas de sangue entre as menstruações ou após relações sexuais.
- Sintomas associados: registre cólicas intensas, cansaço, tontura ou falta de ar.
Evite iniciar medicamentos hormonais ou para reduzir o sangramento por conta própria. O tratamento depende da causa e pode exigir exames de sangue, ultrassonografia ou outros procedimentos indicados pelo médico.

Quando o sangramento intenso exige atendimento médico?
Mudanças persistentes no fluxo, menstruações prolongadas ou sangramentos fora do período menstrual merecem avaliação ginecológica. A perda excessiva de sangue pode provocar deficiência de ferro e anemia, além de indicar condições que precisam de tratamento.
Se o sangramento for muito intenso e vier acompanhado de tontura importante, desmaio, falta de ar ou fraqueza intensa, procure atendimento de emergência imediatamente. Encharcar um absorvente por hora durante várias horas também exige avaliação rápida, mesmo sem outros sintomas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









