Quem já teve pedra nos rins pode precisar de atenção extra à hidratação nos períodos mais quentes. Um estudo publicado em setembro de 2026 encontrou maior risco de recorrência de cálculo renal entre pessoas expostas a mais dias de calor extremo ao longo do ano. O resultado não prova que o calor, sozinho, cause novas pedras, mas reforça a importância de evitar a desidratação quando as temperaturas sobem.
Quanto o calor aumentou o risco de uma nova pedra?
O estudo Heat Index and Kidney Stone Recurrence Among Patients with Nephrolithiasis in a Veterans Affairs Population, publicado em 3 de setembro de 2026 na revista Urology, acompanhou 136.340 pessoas atendidas pelo sistema de saúde de veteranos dos Estados Unidos que já haviam apresentado cálculo renal.
Após ajustes para diferentes características dos participantes, aqueles no grupo com maior exposição ao calor tiveram risco 5% maior de recorrência em comparação com o grupo de menor exposição. A cada 10 dias adicionais de calor extremo por ano, o risco aumentou cerca de 3%. O acompanhamento chegou a sete anos.
O que foi considerado calor extremo no estudo?
Os pesquisadores não analisaram apenas a temperatura máxima. Eles utilizaram o índice de calor, medida que combina temperatura e umidade para representar melhor o quanto o ambiente é percebido como quente pelo organismo.
A exposição foi calculada pelo número de dias do ano em que esse índice ficou acima do percentil 95 para a região estudada. Isso significa que os resultados não devem ser interpretados como a existência de uma temperatura única acima da qual necessariamente ocorre uma nova pedra nos rins.

Por que dias muito quentes podem favorecer cálculos?
O mecanismo mais plausível envolve a perda de água. Nos dias quentes, o organismo aumenta a produção de suor para controlar a temperatura corporal. Se esse líquido não for reposto adequadamente, o volume de urina pode diminuir.
- Maior perda de água pelo suor: deixa menos líquido disponível para a produção de urina.
- Urina mais concentrada: aumenta a concentração de substâncias capazes de formar cristais, como cálcio, oxalato e ácido úrico.
- Menor volume urinário: reduz a diluição dessas substâncias e pode favorecer a formação de cálculos.
- Exposição repetida: trabalhar, praticar exercícios ou permanecer muito tempo no calor pode aumentar a necessidade de reposição de líquidos.
Como reduzir o risco nos dias de calor?
Quem já apresentou cálculo renal pode precisar adaptar a ingestão de líquidos ao clima, à quantidade de suor e às atividades realizadas durante o dia.
- Beba água regularmente: não dependa apenas da sensação de sede nos períodos muito quentes.
- Reponha as perdas: quem transpira bastante pode precisar beber mais líquidos que em dias de temperatura amena.
- Observe a urina: urina persistentemente escura e em pequeno volume pode indicar que a hidratação está insuficiente.
- Evite excesso de sal: o consumo elevado de sódio pode contribuir para alguns tipos de cálculo renal.
- Adapte a alimentação ao tipo de cálculo: a dieta para pedra nos rins pode variar conforme a composição da pedra e alterações identificadas nos exames.
Diretrizes de urologia recomendam que pessoas com histórico de cálculos mantenham ingestão de líquidos suficiente para produzir cerca de 2,5 litros de urina por dia, mas a quantidade que precisa ser bebida não é igual para todos e pode aumentar em ambientes quentes.
Veja também quais cuidados com a alimentação e a hidratação podem ajudar a evitar uma nova crise de pedra nos rins.
O estudo prova que o calor provoca pedra nos rins?
Não. Trata-se de uma coorte retrospectiva, portanto os pesquisadores encontraram uma associação entre maior exposição ao calor e recorrência de cálculos, mas não conseguem demonstrar que o calor tenha sido diretamente responsável pelas novas pedras. Além disso, a pesquisa analisou veteranos dos Estados Unidos, uma população que não representa necessariamente todas as pessoas com cálculo renal.
Quem já teve cálculos repetidos pode se beneficiar de uma avaliação com urologista ou nefrologista para investigar o tipo da pedra, fatores metabólicos e medidas específicas de prevenção. Dor intensa nas costas ou na lateral do abdômen, sangue na urina, vômitos, febre ou dificuldade para urinar exigem avaliação médica, especialmente se houver histórico de sintomas de pedra nos rins.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um profissional de saúde.








