O iodo é indispensável para a tireoide produzir seus hormônios, mas isso não significa que tomar suplementos de iodo ou algas faça a glândula funcionar melhor. Quando não existe deficiência, aumentar a ingestão pode não trazer benefício e, em algumas pessoas, o excesso pode provocar ou piorar alterações da tireoide. Por isso, produtos vendidos como “apoio à tireoide” merecem atenção, especialmente quando contêm kelp ou outras algas muito ricas em iodo.
Por que a tireoide precisa de iodo?
O organismo utiliza o iodo para produzir T3 e T4, hormônios da tireoide que participam do controle do metabolismo, da temperatura corporal e de diversas outras funções. A deficiência desse mineral pode causar problemas como bócio e hipotireoidismo.
No Brasil, porém, o sal destinado ao consumo humano deve ser enriquecido com iodo, uma estratégia usada há décadas para prevenir a deficiência na população. Além do sal iodado, peixes, frutos do mar, leite, ovos e alguns outros alimentos também podem fornecer o mineral.
Tomar mais iodo melhora o hipotireoidismo?
Não necessariamente. Quando o hipotireoidismo é realmente causado por deficiência de iodo, corrigir a falta do nutriente é importante. Entretanto, existem outras causas muito comuns, como a tireoidite de Hashimoto, cirurgia da tireoide e determinados tratamentos ou medicamentos.
Nessas situações, consumir iodo além do necessário não substitui o tratamento indicado. A American Thyroid Association alerta que suplementos de iodo e produtos à base de kelp não são tratamentos eficazes para fazer uma tireoide com função reduzida voltar a trabalhar normalmente.

Por que suplementos de algas exigem cuidado?
Algas podem conter concentrações elevadas de iodo, e a quantidade ingerida pode ser muito diferente daquela obtida em uma alimentação habitual. Alguns pontos ajudam a entender o risco:
- Kelp é especialmente rico em iodo: alguns suplementos podem fornecer quantidades muito maiores do que a necessidade diária.
- Mais não significa melhor: depois que a necessidade do organismo é atendida, doses adicionais não oferecem benefício conhecido para a função normal da tireoide.
- Pessoas com doença tireoidiana podem ser mais sensíveis: quem tem doença autoimune, nódulos ou alterações prévias da tireoide pode reagir a mudanças importantes na ingestão de iodo.
- O rótulo merece atenção: produtos com kelp, algas marinhas, iodeto de potássio ou outras fontes de iodo podem aumentar bastante a ingestão total do mineral.
Uma revisão de 2019, Excess iodine intake: sources, assessment, and effects on thyroid function, descreveu que a ingestão excessiva pode desencadear hipotireoidismo ou hipertireoidismo em indivíduos suscetíveis.
Quando o excesso de iodo pode atrapalhar a tireoide?
A resposta ao excesso varia de pessoa para pessoa. Em algumas situações, uma grande oferta de iodo interfere temporariamente na produção hormonal; em outras, pode estimular produção excessiva de hormônios.
- Hipotireoidismo: o excesso pode reduzir a produção dos hormônios tireoidianos em pessoas suscetíveis.
- Hipertireoidismo: algumas pessoas, especialmente com determinadas alterações prévias da glândula, podem passar a produzir hormônio em excesso.
- Bócio: tanto falta quanto excesso de iodo podem estar associados ao aumento da tireoide.
- Alterações autoimunes: uma ingestão muito elevada pode ser problemática principalmente em pessoas predispostas a doenças autoimunes da tireoide.
Como referência, adultos geralmente necessitam de cerca de 150 microgramas de iodo por dia, embora as necessidades aumentem durante a gestação e a amamentação. A necessidade individual não deve ser confundida com uma indicação automática de suplementação.
Entenda também quais sinais podem aparecer quando o funcionamento da tireoide está alterado.
Quando a suplementação de iodo faz sentido?
A suplementação pode ser necessária em situações específicas, como deficiência comprovada ou maior necessidade nutricional, incluindo alguns períodos da gestação e amamentação. A indicação deve considerar alimentação, uso de sal iodado, outros suplementos e condições de saúde, em vez de ser feita apenas pela presença de sintomas inespecíficos como cansaço ou dificuldade para emagrecer.
Quem apresenta ganho ou perda de peso sem explicação, palpitações, tremores, intolerância ao frio ou calor, alterações no pescoço ou outros sintomas de problemas na tireoide deve procurar avaliação médica. Antes de iniciar iodo ou suplementos de algas, principalmente se já houver doença tireoidiana ou uso de levotiroxina, é recomendado conversar com endocrinologista ou nutricionista.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizados por um profissional de saúde.








