Perder ou perceber redução do olfato sem estar gripado não significa necessariamente que exista um problema grave, mas merece atenção quando a mudança persiste ou aparece sem explicação clara. Alterações do olfato podem ocorrer depois de infecções, por inflamações dentro do nariz, pólipos, alguns medicamentos, traumatismos e outras condições que afetam desde a passagem do ar até os nervos responsáveis por reconhecer os cheiros.
Qual é a diferença entre hiposmia e anosmia?
Hiposmia é a redução da capacidade de sentir cheiros, enquanto anosmia corresponde à perda do olfato. Essas alterações podem surgir de forma súbita ou gradual e afetar bastante a percepção dos alimentos, já que grande parte do que interpretamos como sabor depende dos aromas percebidos pelo nariz.
Uma revisão clínica sobre anosmia e hiposmia, publicada na revista Chemical Senses, descreve diferentes causas para a perda olfatória, entre elas doenças nasais crônicas, infecções das vias respiratórias e traumatismos cranianos. Por isso, a ausência de gripe no momento do sintoma não exclui outras explicações.
Por que uma infecção passada ainda pode afetar o olfato?
A alteração do olfato pode continuar mesmo depois que febre, tosse, coriza ou outros sinais de uma infecção desapareceram. Alguns vírus podem provocar uma disfunção olfatória pós-infecciosa, na qual estruturas relacionadas à percepção dos odores demoram mais para recuperar seu funcionamento.
Uma revisão sistemática sobre anosmia e hiposmia pós-infecciosas confirma que infecções virais estão entre as causas reconhecidas de perda olfatória adquirida. Assim, ao investigar uma mudança recente, é importante lembrar também de doenças respiratórias ocorridas nas semanas ou meses anteriores, e não apenas perguntar se a pessoa está resfriada naquele momento.

O que mais pode diminuir ou eliminar o olfato?
As causas podem envolver tanto uma dificuldade para os odores alcançarem a região olfatória quanto alterações nas estruturas responsáveis por interpretar esses estímulos:
- Rinite e inflamações nasais: o inchaço da mucosa pode dificultar a chegada das moléculas de odor à região responsável pelo olfato.
- Sinusite crônica: inflamação prolongada dos seios da face pode estar associada à redução da capacidade olfatória.
- Pólipos nasais: podem ocupar espaço dentro das cavidades nasais e interferir na passagem do ar. Veja mais sobre pólipo nasal.
- Medicamentos: alguns remédios podem estar associados a alterações do olfato, embora seja importante não interromper nenhum tratamento sem orientação médica.
- Traumatismo craniano: uma pancada na cabeça pode lesionar estruturas envolvidas na percepção dos cheiros.
- Envelhecimento: a sensibilidade olfatória pode diminuir gradualmente com a idade.
- Outras condições: alterações neurológicas e, mais raramente, outras doenças estruturais também entram no diagnóstico diferencial, especialmente quando existem sintomas associados.
Um documento de consenso sobre disfunções olfatórias reforça que pacientes com suspeita de perda do olfato precisam de avaliação adequada da história clínica e das estruturas do nariz, porque diferentes causas podem produzir uma percepção semelhante para o paciente.

Quando a perda de olfato precisa ser avaliada?
Uma alteração passageira durante um resfriado pode melhorar à medida que a congestão desaparece. Já alguns padrões justificam uma avaliação mais detalhada:
- perda ou redução persistente do olfato por várias semanas sem tendência de melhora;
- mudança sem congestão nasal ou infecção recente evidente;
- sintoma iniciado após uma pancada na cabeça;
- obstrução persistente de apenas uma narina, principalmente se acompanhada de sangramento ou secreção incomum;
- alterações neurológicas associadas, como fraqueza, dificuldade para falar, confusão ou outros sintomas de início súbito, que exigem avaliação imediata;
- mudança importante na alimentação ou no peso provocada pela dificuldade de perceber aromas.
O otorrinolaringologista pode examinar as cavidades nasais e, conforme o caso, utilizar testes específicos do olfato, endoscopia nasal ou exames de imagem. Uma revisão sistemática sobre o diagnóstico de anosmia e hiposmia encontrou diferentes ferramentas objetivas para avaliar a função olfatória, reforçando que a percepção relatada pelo paciente pode precisar ser complementada por testes. Saiba também quais são as principais causas de perda de olfato e como elas costumam ser investigadas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica. Redução ou perda persistente do olfato, especialmente quando ocorre sem causa aparente, depois de trauma ou acompanhada de outros sintomas, deve ser avaliada por um otorrinolaringologista.









