A candidíase recorrente pode acontecer mesmo em quem mantém o mesmo parceiro e não significa, necessariamente, que a infecção esteja sendo transmitida nas relações sexuais. Episódios repetidos podem estar relacionados ao próprio equilíbrio da flora vaginal, uso de antibióticos, diabetes e outros fatores, e muitas vezes nenhuma causa evidente é encontrada.
Candidíase não costuma ser adquirida pelo sexo
A candidíase vulvovaginal ocorre quando fungos do gênero Candida, que podem estar naturalmente presentes no organismo, crescem em excesso. Por isso, ter novas crises não significa automaticamente que o parceiro esteja transmitindo o fungo de volta.
Segundo o CDC, a candidíase vulvovaginal não complicada geralmente não é adquirida por relação sexual, e os dados disponíveis não apoiam o tratamento rotineiro dos parceiros quando eles não apresentam sintomas.
Por que a candidíase pode voltar

O CDC considera recorrente o quadro com três ou mais episódios sintomáticos em menos de um ano. Entre os fatores que podem favorecer novas crises estão:
- uso frequente de antibióticos;
- diabetes, principalmente quando a glicose está mal controlada;
- alterações no sistema imunológico;
- espécies de Candida menos sensíveis aos tratamentos habituais;
- alterações individuais que favorecem a proliferação do fungo.
Mesmo assim, muitas mulheres com candidíase de repetição não apresentam um fator desencadeante claramente identificado, o que torna importante confirmar o diagnóstico antes de repetir tratamentos.
Estudo mostra que a recorrência é complexa
Segundo a revisão sistemática Recurrent Vulvovaginal Candidosis and Its Underlying Mechanisms: A Systematic Review, publicada no Journal of Fungi em 2025, a candidíase recorrente parece resultar de uma interação complexa entre características do fungo e respostas do sistema imunológico da própria pessoa.
A Recurrent Vulvovaginal Candidosis and Its Underlying Mechanisms: A Systematic Review reuniu 12 estudos e identificou diferentes mecanismos relacionados à recorrência. Isso ajuda a explicar por que algumas mulheres apresentam episódios repetidos mesmo sem uma causa externa evidente ou mudança de parceiro.
Por que evitar tratar toda coceira como candidíase
Coceira, ardor e corrimento não são exclusivos da candidíase. Vaginose bacteriana, algumas infecções sexualmente transmissíveis, irritações e outras condições vaginais podem produzir sintomas semelhantes.
Por isso, repetir antifúngicos por conta própria pode atrasar o diagnóstico correto. A avaliação é especialmente importante quando:
- os sintomas persistem após o tratamento;
- a coceira ou o corrimento voltam pouco tempo depois;
- os episódios se tornam muito frequentes;
- o aspecto dos sintomas muda em relação às crises anteriores;
- há dúvida se realmente se trata de candidíase.

Quando vale confirmar a causa
Quando a candidíase parece voltar repetidamente, o ginecologista pode realizar exame clínico e, em alguns casos, solicitar análise da secreção ou cultura para identificar o fungo. Isso também permite investigar outras causas para os sintomas e fatores que possam favorecer as recorrências.
O tratamento depende do diagnóstico e pode ser diferente daquele usado em um episódio isolado. Dessa forma, ter parceiro fixo não exclui nem confirma a candidíase recorrente, e a repetição das crises deve ser investigada em vez de atribuída automaticamente à transmissão sexual.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um médico.









