A doença do olho seco é uma alteração crônica da superfície ocular que provoca ardência, sensação de areia nos olhos e visão embaçada, sintomas frequentemente confundidos com cansaço visual comum. Reconhecer esses sinais e buscar avaliação com oftalmologista é essencial para evitar complicações e recuperar o conforto no dia a dia.
O que é a doença do olho seco?
A doença do olho seco ocorre quando os olhos não produzem lágrima em quantidade suficiente ou quando a qualidade do filme lacrimal está comprometida, deixando a superfície ocular desprotegida e mais suscetível à irritação.
Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, trata-se de uma condição multifatorial, ligada à inflamação da superfície ocular e ao mau funcionamento das glândulas responsáveis pela produção lacrimal, que tende a se agravar com o tempo se não for tratada corretamente.
Por que os sintomas costumam ser confundidos com cansaço?
Ardência, sensação de areia, olhos vermelhos e visão embaçada aparecem principalmente ao fim do dia ou após longos períodos diante de telas, o que leva muitas pessoas a interpretar o desconforto apenas como fadiga ocular.
Essa confusão retarda o diagnóstico e favorece a progressão da síndrome do olho seco, que pode evoluir para lesões na córnea e comprometer a qualidade da visão quando não recebe tratamento adequado.

Quais são os principais sintomas do olho seco?
Os sinais costumam surgir de forma gradual e piorar em ambientes com ar-condicionado, vento ou uso prolongado de dispositivos eletrônicos. Os sintomas mais frequentes incluem:
- Ardência ou queimação nos olhos ao longo do dia
- Sensação de areia ou de cisco na superfície ocular
- Visão embaçada intermitente, que melhora ao piscar
- Vermelhidão e sensibilidade à luz, sobretudo em ambientes claros
- Lacrimejamento reflexo, resposta paradoxal à irritação da superfície ocular
- Cansaço visual precoce, com dificuldade para manter o foco
Quais fatores aumentam o risco da doença do olho seco?
Alguns hábitos e condições de saúde estão diretamente ligados ao surgimento e à piora do olho seco, sendo importante identificá-los para reduzir o impacto na rotina. Os principais fatores de risco são:
- Uso prolongado de telas, que reduz a frequência do piscar e acelera a evaporação da lágrima
- Menopausa e alterações hormonais, que afetam a produção lacrimal, condição detalhada no artigo sobre menopausa
- Envelhecimento natural, com queda progressiva da função das glândulas lacrimais
- Uso de lentes de contato e cirurgias oculares refrativas prévias
- Ambientes com ar-condicionado, vento, poluição ou baixa umidade
- Doenças autoimunes, como síndrome de Sjögren, artrite reumatoide e lúpus

O que diz o estudo científico sobre o aumento dos casos?
O aumento do tempo diante de telas nos últimos anos elevou de forma expressiva o número de pessoas com sintomas de olho seco em todo o mundo, e esse impacto foi quantificado por revisões científicas de grande porte.
De acordo com a revisão sistemática e meta-análise Prevalence of dry eye during the COVID-19 pandemic publicada na revista PLOS ONE e indexada no PubMed, que analisou 11 estudos com mais de 15 mil participantes, a prevalência global de olho seco chegou a 61% durante o período de maior uso de telas, reforçando a relação direta entre o tempo prolongado em computadores e celulares e o surgimento dos sintomas, além da importância de identificar precocemente as causas do olho seco para orientar o tratamento adequado.
Se você sente ardência, sensação de areia, vermelhidão ou visão embaçada com frequência, procure um oftalmologista para uma avaliação completa e para definir o tratamento mais indicado ao seu caso.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.








