Dormir sete ou oito horas e ainda assim acordar exausto, sentir sono ao longo do dia e ter dificuldade para se concentrar podem ser mais do que sinais de rotina puxada. Quando esses sintomas se repetem por semanas, especialmente acompanhados de ronco alto e engasgos noturnos, podem ser as primeiras pistas de apneia obstrutiva do sono. Reconhecer o problema cedo evita complicações cardiovasculares graves e devolve qualidade ao descanso.
O que é a apneia obstrutiva do sono e como ela acontece?
A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio em que a musculatura da garganta relaxa demais durante a noite, fazendo com que as vias aéreas superiores se fechem parcial ou totalmente. Cada pausa respiratória pode durar de 10 a 60 segundos e se repetir dezenas de vezes por hora.
A cada interrupção, os níveis de oxigênio no sangue caem e o cérebro provoca um microdespertar para retomar a respiração. Esses despertares fragmentam o sono profundo, mesmo sem que a pessoa perceba, e explicam por que noites aparentemente longas não geram descanso real.
Por que o cansaço diurno é o sintoma mais comum?
Sem alcançar as fases mais restauradoras do sono, o corpo acorda como se tivesse trabalhado durante toda a noite. Isso se traduz em sonolência excessiva, dificuldade de manter o foco, irritabilidade e queda de rendimento no trabalho ou nos estudos.
A sonolência aumenta também o risco de acidentes de trânsito e domésticos, já que a pessoa pode cochilar em situações inadequadas. Esse padrão é uma das maiores queixas de quem tem apneia do sono ainda não diagnosticada.

Quais sinais noturnos e matinais reforçam a suspeita?
Alguns sintomas costumam ser notados pela pessoa que divide o quarto ou percebidos logo ao acordar. Fique atento aos sinais mais frequentes da apneia obstrutiva:
- Ronco alto e frequente: muitas vezes interrompido por pausas seguidas de engasgos ou ofegos.
- Pausas respiratórias observadas: paradas de respiração notadas pelo parceiro durante a noite.
- Despertar com falta de ar: sensação de sufocamento ou coração acelerado no meio da madrugada.
- Boca seca e garganta irritada: resultado da respiração pela boca durante o sono.
- Dor de cabeça matinal: em pressão ou peso, que melhora nas primeiras horas do dia.
- Idas frequentes ao banheiro: nictúria, ou seja, levantar várias vezes para urinar à noite.
O que diz um estudo científico sobre apneia e risco cardiovascular?
A relação entre apneia e doenças do coração já foi amplamente investigada. Uma revisão sistemática intitulada Association between Obstructive Sleep Apnea and Myocardial Infarction: A Systematic Review, publicada nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, reuniu estudos que avaliaram a ligação entre pausas respiratórias durante o sono e infarto do miocárdio.
Segundo o Association between Obstructive Sleep Apnea and Myocardial Infarction: A Systematic Review publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, a apneia obstrutiva do sono é reconhecida como fator de risco para eventos cardiovasculares, incluindo hipertensão arterial e infarto, especialmente quando o quadro é moderado ou grave e permanece sem tratamento. O dado reforça por que o diagnóstico precoce é tão importante.

Como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento?
De acordo com diretrizes da Associação Brasileira do Sono, o diagnóstico definitivo exige exame específico e não pode ser feito apenas pela avaliação clínica. A investigação e o manejo costumam envolver as seguintes etapas:
- Consulta com especialista: médico do sono, pneumologista ou otorrinolaringologista realiza avaliação clínica e aplica questionários como o STOP-Bang e a Escala de Sonolência de Epworth.
- Polissonografia: exame padrão-ouro, feito em laboratório do sono, que registra respiração, oxigenação, batimentos cardíacos e fases do sono durante a noite.
- Poligrafia domiciliar: alternativa simplificada realizada em casa, indicada em casos selecionados com alta suspeita clínica.
- Medidas comportamentais: perda de peso, prática regular de exercícios, redução de álcool e sedativos, além de dormir de lado ajudam nos casos leves.
- CPAP: aparelho que mantém as vias aéreas abertas com pressão contínua de ar, considerado o tratamento mais eficaz para casos moderados e graves. Aparelhos intraorais e cirurgia são opções em situações específicas.
Quando não tratada, a apneia obstrutiva aumenta o risco de hipertensão de difícil controle, arritmias, infarto, AVC e diabetes tipo 2. Por isso, os sintomas persistentes de sono não reparador merecem investigação em busca de outras causas de apneia e de doenças associadas.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação médica. Diante de ronco alto, engasgos noturnos, cansaço persistente ou sonolência diurna, procure um médico do sono para diagnóstico e tratamento adequados.









