A hiponatremia, ou queda dos níveis de sódio no sangue, é o distúrbio eletrolítico mais comum em idosos e costuma se manifestar por confusão mental, cansaço persistente e maior risco de quedas. Reconhecer esses sinais precocemente permite investigar causas frequentes, como o uso de diuréticos, e evitar complicações neurológicas graves. A avaliação laboratorial dos eletrólitos é essencial em qualquer alteração cognitiva ou de comportamento em pessoas acima dos 65 anos, especialmente quando usam múltiplos medicamentos.
O que é a hiponatremia?
A hiponatremia é definida por níveis de sódio no sangue abaixo de 135 mEq/L e ocorre quando há desequilíbrio entre a quantidade de água e de sódio no organismo. Esse mineral é essencial para o funcionamento dos nervos, dos músculos e para o controle da pressão arterial.
Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, o envelhecimento reduz a capacidade renal de eliminar água e altera a percepção da sede, o que torna o idoso mais vulnerável ao problema. Saiba mais sobre o que é a hiponatremia e suas repercussões clínicas.
Por que idosos são o grupo mais afetado?
Além das alterações naturais dos rins, os idosos costumam usar diversos medicamentos que interferem no equilíbrio do sódio, especialmente diuréticos tiazídicos, antidepressivos e antipsicóticos. A combinação de polifarmácia, doenças crônicas e menor ingestão alimentar amplia o risco.
Condições comuns nessa faixa etária, como insuficiência cardíaca, doença renal crônica, hipotireoidismo e a síndrome de secreção inapropriada de hormônio antidiurético, também contribuem para a queda do sódio no sangue.

Quais sintomas indicam a necessidade de investigação?
Os sinais da hiponatremia costumam ser inespecíficos e facilmente confundidos com o envelhecimento normal ou com quadros demenciais, o que atrasa o diagnóstico. Fique atento a:
- Confusão mental e desorientação, com dificuldade recente para reconhecer pessoas ou locais
- Cansaço extremo e sonolência, sem causa aparente
- Dor de cabeça persistente, náuseas e falta de apetite
- Quedas frequentes por perda de equilíbrio ou instabilidade da marcha
- Câimbras musculares e sensação de fraqueza
- Alterações de comportamento, irritabilidade e lentificação do raciocínio
Em casos graves, o quadro pode evoluir para convulsões, coma e edema cerebral, exigindo atendimento hospitalar imediato.
Como um estudo científico comprova os riscos?
A relação entre hiponatremia e desfechos ruins em idosos vem sendo consolidada por diversas revisões que analisaram milhares de pacientes ao longo dos últimos anos. Uma meta-análise reuniu estudos comparando pessoas com e sem redução do sódio sérico e chegou a conclusões relevantes para a prática clínica.
Segundo a revisão sistemática Hyponatremia falls and bone fractures a systematic review and meta-analysis, publicada no periódico Clinical Endocrinology, a hiponatremia está associada a um risco cerca de duas vezes maior de quedas e a um aumento significativo de fraturas de quadril em idosos, mesmo em casos considerados leves.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
O diagnóstico é confirmado por exame de sangue simples que mede a concentração de sódio sérico, geralmente acompanhado da avaliação de outros eletrólitos, função renal e osmolalidade urinária. A conduta depende da causa e da velocidade de instalação, e pode incluir:
- Revisão dos medicamentos em uso, com ajuste ou suspensão de diuréticos e psicotrópicos sob orientação médica
- Restrição hídrica controlada, especialmente nos casos crônicos e leves
- Reposição de sódio por via oral ou venosa, com correção lenta para evitar complicações neurológicas
- Tratamento da doença de base, como insuficiência cardíaca, hipotireoidismo ou doença renal
- Acompanhamento laboratorial periódico, com dosagens repetidas para monitorar a resposta
A automedicação com suplementos ou o aumento do consumo de sal por conta própria não corrige o problema e pode agravar doenças cardiovasculares já existentes, especialmente em quem apresenta sinais de pressão alta. Diante de sintomas cognitivos novos em idosos, a avaliação dos eletrólitos deve fazer parte da investigação inicial.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico. Diante de sintomas persistentes ou dúvidas sobre o uso de medicamentos, procure orientação profissional qualificada.









