Acordar várias vezes durante a noite, sentir cansaço mesmo depois de dormir horas suficientes e conviver com sonolência ao longo do dia podem indicar mais do que estresse ou má rotina. A apneia obstrutiva do sono é uma das causas mais subdiagnosticadas de despertares noturnos, especialmente em homens acima dos 40 anos. Reconhecer os sinais de alerta é fundamental para buscar avaliação médica adequada e evitar complicações que afetam o coração, o metabolismo e a qualidade de vida.
O que é a apneia obstrutiva do sono?
A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio respiratório em que as vias aéreas superiores colapsam parcial ou totalmente durante o sono, causando pausas na respiração que podem durar de 10 a 60 segundos.
Essas interrupções se repetem várias vezes ao longo da noite, reduzem a oxigenação do sangue e provocam microdespertares que fragmentam o descanso, comprometendo as fases mais profundas e restauradoras do sono.
Por que homens acima dos 40 anos são mais afetados?
A partir dos 40 anos, fatores como perda de tônus muscular na garganta, ganho de peso e alterações hormonais aumentam significativamente o risco de apneia. A obesidade, o pescoço curto e o consumo de álcool também contribuem para o colapso das vias aéreas.
O agravante é que muitos homens minimizam sintomas como ronco e cansaço, atribuindo-os à rotina, o que retarda o diagnóstico e favorece o desenvolvimento de complicações como pressão alta, arritmias e diabetes tipo 2.

Quais sinais de alerta merecem atenção?
Alguns sintomas noturnos e diurnos, quando aparecem em conjunto e com frequência, sugerem a possibilidade de apneia obstrutiva do sono. Fique atento a:
- Ronco alto e persistente, interrompido por silêncios súbitos observados por quem divide o quarto
- Engasgos ou pausas respiratórias durante o sono, seguidos de despertares ofegantes
- Sono não reparador, com sensação de cansaço mesmo após oito horas de descanso
- Sonolência diurna excessiva, dificuldade de concentração e lapsos de memória
- Dor de cabeça matinal, boca seca ao acordar e irritabilidade
- Despertares para urinar várias vezes durante a noite (noctúria)
Como um estudo científico mostra a dimensão do problema?
A magnitude global da apneia obstrutiva do sono foi avaliada por um levantamento internacional que reuniu dados de diversos países. Os resultados ajudam a explicar por que a condição é considerada silenciosa e subdiagnosticada.
Segundo o estudo Estimation of the global prevalence and burden of obstructive sleep apnoea a literature-based analysis, publicado na revista The Lancet Respiratory Medicine, cerca de 936 milhões de adultos entre 30 e 69 anos apresentam algum grau de apneia obstrutiva do sono no mundo, sendo 425 milhões em formas moderadas a graves. A pesquisa reforça que a maioria dos casos permanece sem diagnóstico, atrasando o tratamento e ampliando os riscos cardiovasculares.

Quando procurar avaliação com polissonografia?
A polissonografia é o exame padrão-ouro para diagnosticar a apneia do sono e deve ser considerada diante de sinais persistentes. Vale lembrar que o ronco isolado, sem outros sintomas, não confirma o diagnóstico. As principais indicações incluem:
- Ronco frequente acompanhado de pausas respiratórias observadas por terceiros
- Sonolência diurna excessiva que interfere no trabalho, na direção ou nas atividades cotidianas
- Fatores de risco associados, como obesidade, hipertensão de difícil controle, diabetes tipo 2 ou arritmias cardíacas
- Despertares noturnos com sensação de sufocamento, engasgo ou falta de ar
- Avaliação pré-operatória em cirurgias com anestesia geral, especialmente em pacientes com sinais sugestivos
O tratamento varia conforme a gravidade e pode incluir mudanças no estilo de vida, uso do aparelho CPAP, dispositivos intraorais ou até cirurgia. Evitar o autodiagnóstico é essencial, já que apenas o exame do sono, interpretado por médico especialista, confirma a condição e orienta a conduta correta.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico especialista em medicina do sono. Diante de sinais persistentes de apneia, procure orientação profissional para diagnóstico e tratamento adequados.









