A queda de cabelo não acontece apenas por predisposição genética. Deficiência de ferro, alterações da tireoide, estresse, mudanças hormonais e algumas carências nutricionais também podem interferir no ciclo de crescimento dos fios. Entre as mulheres com queda difusa, a ferritina baixa merece atenção especial, enquanto níveis reduzidos de vitamina D aparecem associados a alguns tipos de alopecia em estudos. Isso não significa, porém, que toda queda seja causada por essas deficiências ou que tomar suplementos sem avaliação resolva o problema.
Como a falta de ferro pode contribuir para a queda?
O ferro é necessário para diversas funções celulares e sua deficiência pode ocorrer mesmo antes de surgir uma anemia evidente. A ferritina é um dos exames utilizados para avaliar as reservas de ferro do organismo e pode ser útil na investigação de pessoas com queda difusa dos fios. Revisões médicas apontam relação entre níveis baixos de ferritina e alguns quadros de perda capilar, especialmente o eflúvio telógeno.
O eflúvio telógeno ocorre quando uma quantidade maior de fios entra precocemente na fase de queda. Além da deficiência de ferro, ele pode aparecer após infecções, cirurgias, dietas restritivas, estresse intenso, alterações hormonais ou uso de alguns medicamentos.
E a vitamina D realmente influencia o cabelo?
A vitamina D participa de mecanismos envolvidos no crescimento e na diferenciação do folículo capilar. Estudos observacionais encontram com frequência níveis mais baixos em pessoas com eflúvio telógeno, alopecia androgenética ou alopecia areata, mas ainda faltam evidências conclusivas mostrando que a suplementação isolada reverta a queda em quem não apresenta deficiência.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia também já alertou que o uso indiscriminado de vitamina D como tratamento para queda de cabelo não possui comprovação científica suficiente. Por isso, o exame de 25-OH vitamina D pode fazer parte da investigação em situações selecionadas, mas o resultado deve ser interpretado junto do quadro clínico.

Quais exames podem ajudar a investigar a queda?
Dependendo do padrão da perda de cabelo e dos sintomas associados, o dermatologista pode solicitar exames como:
- hemograma: ajuda a identificar anemia e outras alterações sanguíneas;
- ferritina: avalia as reservas de ferro e pode detectar deficiência mesmo antes de algumas alterações no hemograma;
- ferro e saturação de transferrina: podem complementar a avaliação do metabolismo do ferro;
- 25-OH vitamina D: é o exame utilizado para avaliar o estado da vitamina D no organismo;
- TSH: pode ser solicitado para investigar alterações da tireoide associadas à queda;
- outros nutrientes: zinco, vitamina B12 ou folato podem ser investigados conforme alimentação, sintomas e histórico clínico.
Estudo associa ferritina e vitamina D baixas à queda feminina
Um estudo realizado com mulheres avaliou a relação entre esses nutrientes e diferentes tipos de perda capilar. Segundo o Serum ferritin and vitamin D in female hair loss, publicado na revista Skin Pharmacology and Physiology, níveis séricos mais baixos de ferritina e vitamina D foram encontrados em mulheres com eflúvio telógeno e queda de padrão feminino quando comparadas aos controles.
O resultado reforça a utilidade de investigar deficiências quando existe indicação clínica, mas não demonstra que esses nutrientes sejam responsáveis por todos os casos. Estudos mais recentes também mostram que deficiências nutricionais não estão presentes em todas as pessoas com eflúvio telógeno, tornando necessária uma avaliação individualizada.
Quando a queda de cabelo merece investigação?
Algumas situações aumentam a importância de procurar um dermatologista:
- queda intensa ou persistente por várias semanas;
- aumento perceptível da quantidade de fios no banho ou ao pentear;
- rarefação progressiva no topo ou na região frontal da cabeça;
- falhas bem delimitadas ou áreas completamente sem cabelo;
- queda associada a cansaço, palidez, unhas frágeis ou menstruação intensa;
- coceira, descamação, feridas ou inflamação no couro cabeludo;
- histórico recente de dieta muito restritiva ou perda rápida de peso.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia orienta que a queda de cabelo possui diferentes causas e tratamentos e recomenda avaliação dermatológica para identificar corretamente o problema. Isso é importante porque uma queda de cabelo provocada por deficiência de ferro exige uma abordagem diferente de uma alopecia androgenética.
Suplementos de ferro ou vitamina D não devem ser usados apenas porque o cabelo está caindo. Doses excessivas também podem causar problemas, e o tratamento ideal depende da causa identificada por exame clínico e, quando necessário, exames laboratoriais.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. Se a queda de cabelo for intensa, persistente ou acompanhada de outros sintomas, procure orientação de um dermatologista ou outro profissional de saúde.









