A DRGE, ou doença do refluxo gastroesofágico, é uma condição crônica em que o conteúdo ácido do estômago retorna com frequência para o esôfago, causando sintomas como azia, regurgitação, tosse noturna e rouquidão. Ela ocorre principalmente devido à falha do esfíncter esofágico inferior, a válvula que separa o estômago do esôfago. Controlar a doença envolve mudanças no estilo de vida, uso de medicamentos e, em casos selecionados, cirurgia. Entenda como identificar os sinais e por que o acompanhamento médico é essencial para prevenir complicações.
O que é a DRGE e como ela acontece?
A DRGE ocorre quando o esfíncter esofágico inferior, um anel muscular localizado entre o estômago e o esôfago, não fecha corretamente após a passagem dos alimentos. Isso permite que o suco gástrico ácido suba e irrite a mucosa esofágica, provocando os sintomas típicos da doença.
Fatores como obesidade, hérnia de hiato, tabagismo, gravidez e alimentação inadequada favorecem esse relaxamento anormal do esfíncter. Diferenciar a DRGE de uma azia ocasional exige atenção à frequência dos sintomas de refluxo, que costumam se repetir duas ou mais vezes por semana.
Quais são os sinais mais frequentes?
Os sintomas variam de intensidade, mas costumam surgir principalmente após as refeições ou ao deitar. Reconhecê-los é o primeiro passo para buscar avaliação médica adequada e evitar a evolução do quadro.
Além dos sintomas clássicos, a DRGE pode se manifestar de forma menos óbvia, com manifestações fora do trato digestivo. Veja os sinais mais comuns:
- Azia: sensação de queimação no peito que sobe em direção à garganta, geralmente após as refeições.
- Regurgitação: retorno de alimento ou líquido ácido para a boca, com gosto amargo.
- Tosse noturna: causada pela irritação da laringe pelo ácido durante o sono.
- Rouquidão: alteração na voz por inflamação das cordas vocais.
- Dor no peito: sensação que pode ser confundida com problemas cardíacos.
- Pigarro constante e sensação de bolo na garganta.
- Sono interrompido por episódios de refluxo ao deitar.

Como um estudo científico orienta o manejo da doença?
A abordagem da DRGE combina medidas comportamentais, medicamentos e, em casos selecionados, cirurgia, seguindo diretrizes internacionais alinhadas às recomendações da Federação Brasileira de Gastroenterologia sobre diagnóstico e tratamento.
Segundo a revisão Evaluation and management of gastroesophageal reflux disease: A brief look at the updated guidelines, publicada na revista Cleveland Clinic Journal of Medicine e indexada no PubMed, o tratamento inicial recomendado para a maioria dos pacientes com DRGE clássica é um ensaio de oito semanas com inibidores de bomba de prótons associado a mudanças no estilo de vida. Os autores destacam que a endoscopia digestiva alta está indicada em pacientes com sintomas de alarme ou fatores de risco para complicações como o esôfago de Barrett.
Como controlar a DRGE no dia a dia?
Ajustes na rotina são a base do tratamento e ajudam a reduzir a exposição do esôfago ao ácido. Eles funcionam de forma isolada em quadros leves e complementam a medicação em casos moderados a graves.
Entre as recomendações mais eficazes estão perder peso quando necessário, evitar deitar até 3 horas após as refeições, elevar a cabeceira da cama, reduzir alimentos gatilho como frituras, chocolate, café, refrigerantes e frutas cítricas, além de parar de fumar. Quando essas medidas não são suficientes, o tratamento para refluxo pode incluir antiácidos, bloqueadores H2 e inibidores de bomba de prótons, sempre com orientação médica.

Quais complicações merecem atenção?
Quando não tratada, a DRGE pode evoluir para complicações significativas, como esofagite erosiva, estreitamento do esôfago e o esôfago de Barrett, uma alteração pré-cancerosa das células esofágicas que aumenta o risco de adenocarcinoma. Por isso, sintomas persistentes exigem investigação com gastroenterologista.
Sinais como dificuldade para engolir, perda de peso sem causa aparente, vômitos com sangue, fezes escuras ou anemia inexplicada são considerados de alarme e pedem avaliação imediata. O acompanhamento periódico com endoscopia é essencial em pacientes com esôfago de Barrett para monitorar a evolução e prevenir a progressão para o câncer.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre seu médico de confiança.









