A deficiência de magnésio nem sempre está ligada a uma dieta pobre no mineral. Em muitos casos, o problema surge porque o organismo perde mais magnésio do que consegue repor, mesmo com alimentação equilibrada. Uso contínuo de diuréticos, diabetes mal controlada e alguns problemas intestinais aumentam a excreção desse nutriente e favorecem quadros de hipomagnesemia silenciosos, que se manifestam com cãibras, cansaço e alterações no sono.
Qual o papel do magnésio no organismo?
O magnésio participa de mais de 300 reações enzimáticas, incluindo a contração muscular, a produção de energia, o funcionamento do sistema nervoso e a regulação da glicose e da pressão arterial. Grande parte do mineral fica armazenada nos ossos e dentro das células, e não no sangue.
Por isso, os níveis podem estar baixos por muito tempo sem alteração clara no exame de sangue tradicional, o que retarda o diagnóstico e prolonga sintomas como fadiga, tensão muscular e irritabilidade.
Por que diuréticos e diabetes reduzem o magnésio?
Diuréticos de alça e tiazídicos, muito usados para pressão alta e insuficiência cardíaca, aumentam a eliminação urinária de magnésio, sódio e potássio. Com o tempo, mesmo quem tem boa ingestão pelo magnésio nos alimentos pode desenvolver deficiência progressiva.
Na diabetes mal controlada, o excesso de glicose no sangue é filtrado pelos rins e leva mais magnésio junto na urina, um mecanismo chamado diurese osmótica. Alcoolismo, uso prolongado de inibidores da bomba de prótons e doenças intestinais como Crohn e doença celíaca também contribuem para as perdas.

Quais sintomas indicam falta de magnésio?
Os sinais costumam ser inespecíficos e evoluir de forma gradual, o que atrasa o reconhecimento. Observar o conjunto de queixas ajuda a diferenciar a deficiência de estresse ou cansaço rotineiro:
- Músculos: cãibras noturnas, espasmos, tremores nas pálpebras e sensação de tensão persistente.
- Sistema nervoso: ansiedade, irritabilidade, insônia e dificuldade para relaxar.
- Energia e disposição: fadiga constante mesmo após descanso e queda no rendimento diário.
- Coração: palpitações, batimentos irregulares e sensação de coração acelerado em repouso.
- Outros sinais: formigamentos, dores de cabeça frequentes e piora de sintomas pré-menstruais.
O que a ciência mostra sobre perdas e medicamentos?
A relação entre certas condições clínicas, uso crônico de medicamentos e deficiência de magnésio é bem documentada em publicações internacionais. De acordo com o fact sheet Magnesium Fact Sheet for Health Professionals, publicado pelo NIH Office of Dietary Supplements, a deficiência sintomática por baixa ingestão em adultos saudáveis é incomum, pois os rins reduzem a excreção do mineral, mas condições como diabetes tipo 2, alcoolismo crônico, doenças gastrointestinais e uso prolongado de diuréticos ou inibidores da bomba de prótons aumentam significativamente as perdas e o risco de hipomagnesemia.

Como confirmar a deficiência e o que fazer?
O diagnóstico envolve avaliação clínica detalhada, revisão dos medicamentos em uso e exames laboratoriais, incluindo dosagem sérica de magnésio e, em casos selecionados, magnésio urinário. Segundo diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o tratamento deve ser individualizado e considerar a causa de fundo, e não apenas repor o mineral.
Antes de recorrer a suplementos, é essencial procurar orientação médica, especialmente em quem tem doença renal, já que o excesso de magnésio pode causar hipotensão, arritmias e complicações graves. Priorizar alimentos ricos em magnésio como sementes de abóbora, espinafre, castanhas, feijão e cacau costuma ser a estratégia mais segura para manter os níveis adequados no dia a dia.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico de confiança.









