Sentir mais fome quando a temperatura cai não é falta de disciplina alimentar, mas uma resposta natural do organismo para manter o equilíbrio energético. Nos dias frios, o corpo trabalha mais para preservar a temperatura interna, o que aumenta o gasto de calorias e ativa mecanismos hormonais que estimulam o apetite, especialmente por alimentos mais calóricos. Compreender essa reação biológica ajuda a lidar com o desejo por comida de forma consciente e adotar estratégias simples que sustentam o metabolismo sem excessos.
Por que a fome aumenta nos dias frios?
Quando a temperatura ambiente diminui, o corpo precisa gerar mais calor para manter a temperatura corporal por volta dos 36,5°C. Esse processo demanda energia extra e envia sinais ao cérebro de que é preciso repor combustível, o que se traduz em maior sensação de fome ao longo do dia.
Além disso, o frio favorece a busca por alimentos quentes e reconfortantes, geralmente mais densos em calorias, o que reforça o comportamento alimentar sazonal observado especialmente nos meses de inverno.
O que é a termogênese e como ela influencia o apetite?
A termogênese é o processo pelo qual o organismo produz calor para manter a temperatura interna estável, e ela se intensifica quando estamos expostos ao frio. Esse aumento do gasto energético ativa o tecido adiposo marrom, especializado em queimar calorias para gerar calor.
Com o metabolismo mais acelerado, hormônios como a grelina, responsável por estimular a fome, tendem a ser liberados em maior quantidade, o que pode intensificar a vontade de comer e influenciar diretamente o metabolismo em quem está exposto a temperaturas baixas por períodos prolongados.

Quais hormônios estão envolvidos nesse processo?
A regulação do apetite no frio envolve uma rede complexa de hormônios que se comunicam com o sistema nervoso central. Entre os principais estão a grelina, produzida no estômago e associada à fome, e a leptina, secretada pelas células de gordura e ligada à saciedade.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, alterações nesses hormônios influenciam diretamente a percepção de fome e saciedade, e o frio é um dos fatores ambientais que pode elevar a grelina e reduzir a leptina, contribuindo para o aumento da fome exagerada em determinados períodos.
O que dizem os estudos científicos sobre o frio e o apetite?
A ciência tem investigado a fundo como as baixas temperaturas afetam o balanço energético do organismo. Segundo a revisão Humans in the cold Regulating energy balance, publicada na revista Obesity Reviews e indexada no PubMed, a exposição ao frio provoca aumento consistente do gasto energético em humanos, ativando a termogênese pelo tecido adiposo marrom e pelo tremor muscular.
Os autores destacam ainda que, em modelos animais, temperaturas mais baixas se relacionam de forma direta com maior ingestão alimentar, o que sugere um mecanismo compensatório de reposição energética que também pode se manifestar em seres humanos, embora em intensidade menor.

Quais estratégias ajudam a controlar a fome no inverno?
Adotar hábitos alimentares que atendam à maior demanda energética sem gerar excessos é o caminho mais eficaz para lidar com a fome nos dias frios. As principais estratégias respaldadas pela ciência são:
- Investir em refeições quentes e nutritivas, como sopas, caldos e ensopados preparados com legumes, leguminosas e proteínas magras, que aquecem o corpo e prolongam a saciedade;
- Priorizar fibras e proteínas em todas as refeições, incluindo aveia, feijão, ovos, carnes magras e vegetais folhosos, que retardam a digestão e reduzem a sensação de fome;
- Manter a hidratação constante, mesmo sem sentir sede intensa, apostando em chás sem açúcar e água em temperatura ambiente para regular o metabolismo;
- Fracionar as refeições ao longo do dia, com pequenos lanches saudáveis entre as principais, evitando longos períodos de jejum que intensificam a fome;
- Praticar atividade física regular, que ajuda a regular hormônios do apetite, melhora o humor e mantém o gasto energético equilibrado mesmo nos meses mais frios.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Consulte sempre um médico ou nutricionista para orientações personalizadas sobre alimentação, controle do apetite e adaptações da dieta nos diferentes períodos do ano.









