Acordar com a sensação de olhos ressecados ou perceber ardência e cansaço ocular no fim do expediente são queixas comuns, mas o horário em que o desconforto aparece oferece pistas importantes sobre a causa. O ressecamento matinal costuma estar ligado a alterações das pálpebras que ocorrem durante o sono, enquanto o incômodo que se intensifica ao longo do dia costuma refletir o impacto de telas, ar-condicionado e lentes de contato. Observar o padrão dos sintomas ajuda a decidir quando mudanças de hábito bastam e quando é hora de procurar um oftalmologista.
Por que os olhos ficam secos ao acordar?
Durante o sono, a produção de lágrimas diminui e o filme lacrimal, camada que protege a superfície ocular, fica mais fino. Em pessoas saudáveis, essa redução passa despercebida, mas em quem já tem alguma alteração ocular o desconforto matinal é perceptível.
Alterações das pálpebras também influenciam esse quadro. Quando elas não fecham completamente durante o sono ou apresentam inflamação nas bordas, a evaporação da lágrima aumenta e a manhã começa com ardência, sensação de areia e cílios grudados.
Como pálpebras inflamadas contribuem para o desconforto matinal?
A blefarite é uma inflamação crônica das margens das pálpebras que compromete o funcionamento das glândulas de Meibomius, responsáveis pela camada oleosa da lágrima. Sem essa proteção, a lágrima evapora com mais facilidade e o olho fica seco.
O quadro costuma se manifestar com crostas na base dos cílios, vermelhidão, coceira e sensação de inflamação nos olhos ao acordar. Outras alterações palpebrais, como o fechamento incompleto durante o sono, também explicam por que algumas pessoas amanhecem com os olhos irritados mesmo dormindo várias horas.

Por que o ressecamento piora no fim do dia?
Ao longo do dia, atividades que exigem foco visual reduzem a frequência com que piscamos. Ao usar computadores, celulares ou tablets, o número de piscadas por minuto cai de forma significativa, o que compromete a distribuição do filme lacrimal.
Somam-se a isso o ar-condicionado, que diminui a umidade do ambiente, o vento, a poluição e o uso prolongado de lentes de contato, que absorvem parte da lágrima. Esses fatores explicam o cansaço ocular, a visão embaçada e a sensação de areia típicos do fim de tarde em quem tem olho seco.
O que a ciência mostra sobre telas e olho seco?
O uso intenso de dispositivos digitais é hoje um dos principais fatores associados ao ressecamento ocular, e diversos estudos ajudam a dimensionar esse impacto. A relação entre horas diante da tela e sintomas de olho seco vem sendo confirmada em diferentes populações de trabalhadores e estudantes.
Segundo a revisão sistemática e meta-análise Prevalence of dry eye disease in visual display terminal workers, publicada na revista científica BMJ Open, a prevalência global de doença do olho seco entre trabalhadores que usam telas foi estimada em torno de 49%, variando de 9,5% a 87,5% conforme o critério diagnóstico. Os autores destacam que o tempo prolongado diante de monitores é um fator de risco relevante e modificável, o que reforça a importância de ajustes na rotina para reduzir os sintomas.

Quais hábitos ajudam a reduzir o ressecamento ocular?
Pequenos ajustes na rotina podem aliviar o desconforto tanto matinal quanto no fim do dia, especialmente em quem passa muitas horas diante de telas ou em ambientes climatizados. Entre as medidas mais recomendadas estão:
- Aplicar a regra 20-20-20, desviando o olhar da tela a cada 20 minutos para fixar em um ponto a cerca de 6 metros por 20 segundos
- Piscar de forma consciente e completa ao usar computador ou celular
- Manter a tela um pouco abaixo da linha dos olhos, para reduzir a exposição da superfície ocular
- Usar umidificador de ambiente em locais com ar-condicionado ou aquecedores
- Higienizar as pálpebras diariamente com produtos indicados pelo oftalmologista
- Fazer pausas no uso de lentes de contato e respeitar o tempo máximo de uso diário
- Beber água ao longo do dia e incluir alimentos ricos em ômega 3 na alimentação
- Evitar coçar os olhos e remover a maquiagem antes de dormir
Se o desconforto for frequente, vier acompanhado de dor intensa, alteração da visão, vermelhidão persistente, secreção ou sensibilidade à luz, é importante consultar um oftalmologista. A avaliação identifica se há síndrome do olho seco, blefarite, alergia ocular ou outra condição por trás dos sintomas e permite iniciar o tratamento adequado.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Consulte sempre um médico de confiança para diagnóstico, orientação e tratamento individualizados.









