Confusão mental persistente, falta de apetite sem causa aparente e cansaço extremo podem ser sinais silenciosos de uma deficiência de vitamina B12 que muitas vezes passa despercebida. Essa carência costuma se instalar de forma gradual, especialmente em quem usa medicamentos que reduzem a acidez gástrica por longos períodos, já que o ácido do estômago é essencial para absorver essa vitamina dos alimentos. Reconhecer os sinais precocemente e investigar com exames adequados é fundamental para evitar danos neurológicos que podem se tornar permanentes.
Por que a vitamina B12 é essencial para o cérebro?
A vitamina B12, também chamada cobalamina, participa da formação da bainha de mielina, camada que protege os nervos e garante a transmissão adequada dos impulsos elétricos. Ela também atua na produção de neurotransmissores ligados ao humor e à cognição.
Quando os níveis dessa vitamina caem, a comunicação entre os neurônios fica prejudicada e surgem sintomas como confusão mental, esquecimentos e alterações de humor. A vitamina B12 também é fundamental para a produção de glóbulos vermelhos e para o metabolismo energético do organismo.
Como antiácidos prejudicam a absorção da B12?
Medicamentos inibidores de bomba de prótons, como omeprazol e pantoprazol, reduzem a acidez do estômago para tratar refluxo, gastrite e úlceras. O problema é que o ácido gástrico é necessário para liberar a vitamina B12 das proteínas dos alimentos, permitindo sua absorção no intestino.
Com o uso prolongado, essa liberação fica comprometida e os estoques da vitamina no fígado se esgotam ao longo dos meses. Bloqueadores H2, como a ranitidina, e o uso crônico de metformina também estão associados a maior risco de deficiência dessa vitamina.

Quais sinais neurológicos exigem atenção?
A deficiência avançada de B12 provoca sintomas neurológicos que podem ser confundidos com envelhecimento, estresse ou até quadros de demência. Reconhecê-los cedo é essencial para evitar sequelas.
- Formigamento ou dormência nas mãos e nos pés
- Confusão mental, lapsos de memória e dificuldade de concentração
- Alterações de humor, irritabilidade e sintomas depressivos
- Dificuldade de equilíbrio e sensação de andar sobre algodão
- Fraqueza muscular e cansaço extremo persistente
- Perda de apetite, língua avermelhada e lisa
- Palidez, falta de ar aos pequenos esforços e palpitações
O que a ciência mostra sobre antiácidos e B12?
A relação entre o uso prolongado de medicamentos que reduzem a acidez gástrica e a deficiência de B12 já foi analisada em pesquisas de referência. Segundo o estudo de caso-controle H2 blocker or proton pump inhibitor use and risk of vitamin B12 deficiency in older adults, publicado no Journal of Clinical Epidemiology e indexado no PubMed, o uso contínuo desses medicamentos por 12 meses ou mais aumentou em cerca de quatro vezes o risco de desenvolver deficiência da vitamina em idosos.
Os autores reforçam a importância de monitorar os níveis da vitamina em pacientes que fazem tratamento prolongado com esses remédios, especialmente acima dos 60 anos, quando a absorção intestinal já tende a diminuir naturalmente.

Como investigar e prevenir a deficiência?
A dosagem laboratorial é o caminho mais confiável para confirmar a carência. Além da B12 sérica, o ácido metilmalônico é um marcador sensível que se eleva quando a vitamina está funcionalmente baixa, mesmo com valores séricos aparentemente normais. Algumas medidas ajudam a proteger os níveis do nutriente.
- Solicite ao médico a dosagem de B12 sérica e ácido metilmalônico em uso prolongado de antiácidos
- Consuma regularmente alimentos ricos na vitamina, como carnes, ovos, peixes e laticínios
- Considere suplementação oral ou sublingual, sob orientação profissional
- Reavalie periodicamente a real necessidade de manter inibidores de bomba de prótons
- Fique atento aos sintomas iniciais de anemia megaloblástica, como palidez e cansaço
- Discuta com o médico o tratamento adequado em casos confirmados de deficiência
Diante de sintomas como confusão mental, formigamento nas extremidades ou perda de apetite sem explicação, principalmente em uso contínuo de medicamentos gástricos, é fundamental procurar um clínico geral, neurologista ou hematologista para avaliação completa. Somente o profissional pode solicitar os exames corretos e indicar a melhor forma de reposição da vitamina.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Sempre consulte um médico antes de iniciar ou interromper qualquer medicamento, suplemento ou tratamento.









