A queda de cabelo costuma ser atribuída ao estresse e à genética, mas em muitos casos a verdadeira causa está nas reservas de ferro do organismo. Mesmo sem anemia diagnosticada no hemograma, níveis reduzidos de ferritina podem comprometer o ciclo de crescimento dos fios e provocar queda difusa, especialmente em mulheres em idade fértil. Entender essa relação é o primeiro passo para investigar o problema corretamente e evitar tratamentos que não atacam a raiz da questão.
Por que o ferro é tão importante para o cabelo?
O ferro participa do transporte de oxigênio até o couro cabeludo e da multiplicação das células responsáveis pela produção dos fios. Sem esse mineral em quantidade adequada, os folículos capilares reduzem a atividade metabólica e interrompem precocemente a fase de crescimento.
Como consequência, os cabelos afinam, perdem brilho e caem em maior quantidade, mesmo sem alterações visíveis no couro cabeludo. Esse padrão é típico do eflúvio telógeno, uma das causas mais comuns de queda de cabelo em mulheres.
O que é a ferritina e qual seu papel na saúde capilar?
A ferritina é a proteína que armazena o ferro no organismo e funciona como um marcador das reservas do mineral. Quando os estoques diminuem, a ferritina cai antes mesmo da hemoglobina se alterar, o que faz do exame um sinal precoce de deficiência.
Segundo orientações da Sociedade Brasileira de Dermatologia, valores baixos de ferritina estão associados ao afinamento e à queda dos fios, mesmo quando o hemograma comum aparece normal. Por isso, esse exame é considerado essencial na investigação capilar.

Como diferenciar eflúvio telógeno de alopecia androgenética?
Embora ambas causem queda de cabelo, essas condições apresentam mecanismos e padrões diferentes. Veja as principais distinções:
- Eflúvio telógeno: queda difusa e temporária, geralmente entre dois e três meses após um evento estressor, como parto, cirurgia, febre ou dieta restritiva.
- Alopecia androgenética: afinamento progressivo e crônico, com origem genética e hormonal, mais visível no topo da cabeça ou na região frontal.
- Duração: o eflúvio tende a regredir em três a seis meses, já a alopecia androgenética evolui de forma lenta e contínua.
- Reversibilidade: o eflúvio costuma responder bem ao tratamento da causa, enquanto a alopecia androgenética exige acompanhamento prolongado.
- Padrão de queda: difuso no eflúvio, localizado na alopecia androgenética.
O que a ciência diz sobre a relação entre ferritina e queda de cabelo?
Pesquisas recentes reforçam a importância de investigar as reservas de ferro em mulheres com queda capilar persistente. Segundo o estudo Retrospective Review of 2851 Female Patients With Telogen Effluvium, publicado na revista International Journal of Dermatology e indexado no PubMed, a análise de 2851 pacientes atendidas em um serviço de dermatologia demonstrou associação significativa entre baixos níveis de ferritina, vitamina B12 e alterações da tireoide com o eflúvio telógeno.
Os autores concluíram que a dosagem sérica de ferritina, hemoglobina, vitamina B12, ácido fólico e função tireoidiana deve compor a avaliação inicial de pacientes com queda difusa. A investigação laboratorial ampla permite identificar deficiências corrigíveis e definir a conduta mais adequada.

Quais exames são indicados para investigar a queda capilar?
Diante de uma queda persistente por mais de três meses, o dermatologista pode solicitar uma bateria de exames para identificar a causa. Os principais incluem:
- Hemograma completo, para avaliar anemia e outros parâmetros sanguíneos.
- Ferritina sérica, para verificar as reservas de ferro no organismo.
- Ferro sérico e saturação de transferrina, que complementam a análise do metabolismo do mineral.
- TSH e T4 livre, para avaliar a função da tireoide.
- Vitamina D e vitamina B12, importantes para o ciclo capilar.
- Zinco, envolvido na formação da queratina.
- Avaliação dermatoscópica do couro cabeludo, para diferenciar tipos de alopecia.
Com base nos resultados, o profissional define a conduta mais adequada, que pode envolver reposição de ferro, ajustes alimentares e tratamentos tópicos específicos para controlar a queda de cabelo. A suplementação por conta própria não é indicada, pois o excesso de ferro também pode causar efeitos adversos e mascarar outros problemas de saúde.
Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um dermatologista ou médico de confiança diante de qualquer sintoma persistente.









