Sentir coceira intensa dentro do ouvido, acompanhada de dor, saída de secreção e sensação de canal auditivo entupido, costuma ser mais do que um incômodo passageiro. Esses sintomas podem indicar otite externa, uma inflamação do canal do ouvido frequentemente relacionada à umidade, ao uso de fones e protetores auriculares, a doenças de pele ou a infecções por bactérias e fungos. Reconhecer os sinais desde o início ajuda a evitar a evolução do quadro e complicações que podem afetar a audição e o bem-estar.
O que é otite externa?
A otite externa é uma inflamação que atinge o canal auditivo externo, região que vai da orelha até o tímpano. Ela também é popularmente chamada de ouvido de nadador, por ser bastante comum em pessoas que passam muito tempo em contato com a água.
O quadro pode surgir de forma aguda, com sintomas intensos em poucos dias, ou de forma crônica, quando há coceira e desconforto persistentes por semanas. Em ambos os casos, o acompanhamento com otorrinolaringologista é essencial para tratar o ouvido inflamado corretamente.
Quais são as principais causas?
A umidade prolongada dentro do canal auditivo é uma das causas mais comuns, pois cria um ambiente propício para o crescimento de bactérias e fungos. Banhos frequentes, mergulhos, natação e exposição a piscinas favorecem esse quadro.
Outros fatores incluem o uso frequente de fones intra-auriculares, protetores auriculares e aparelhos auditivos, a limpeza inadequada com cotonetes ou objetos pontiagudos, além de doenças de pele como dermatite, eczema e psoríase, que afetam também o canal do ouvido.

Quais sintomas indicam otite externa?
Os sintomas geralmente evoluem em poucos dias e podem começar com uma leve coceira, avançando para dor, inchaço e diminuição da audição. Reconhecer o padrão ajuda a diferenciar o quadro de outras causas de desconforto no ouvido. Os principais sinais são:
- Coceira dentro do ouvido: costuma ser o primeiro sintoma, especialmente em quadros iniciais e crônicos.
- Dor local: tende a piorar ao tocar na orelha, mastigar ou puxar o pavilhão auricular.
- Secreção clara ou amarelada: pode surgir com odor desagradável quando há infecção bacteriana.
- Sensação de ouvido tampado: resultado do inchaço do canal auditivo.
- Audição abafada: perda temporária da nitidez dos sons no ouvido afetado.
- Vermelhidão e inchaço na entrada do ouvido: visíveis a olho nu em alguns casos.
- Descamação da pele do canal: mais comum nas formas crônicas ou fúngicas.
Diante desses sintomas, o ideal é evitar automedicação, não introduzir objetos no ouvido e procurar avaliação médica para confirmar o diagnóstico e definir o tratamento adequado.
O que a ciência diz sobre o tratamento?
Diretrizes internacionais reforçam a importância do diagnóstico precoce e do tratamento tópico como primeira escolha. Segundo a diretriz clínica Clinical Practice Guideline Acute Otitis Externa publicada no periódico Otolaryngology Head and Neck Surgery, o controle da dor e o uso de medicamentos tópicos, como gotas com antibiótico e corticoide, são recomendados como estratégia inicial para a maioria dos casos.
A diretriz destaca ainda que antibióticos sistêmicos não devem ser usados como primeira linha de tratamento em quadros leves e sem complicações, sendo reservados a situações mais graves ou a pacientes com fatores de risco específicos, como diabetes ou imunossupressão. O uso de remédios para otite deve seguir sempre a orientação do otorrinolaringologista.

Como prevenir a otite externa?
Alguns cuidados diários ajudam a proteger o canal auditivo e reduzem o risco de novos episódios. As medidas mais recomendadas são:
- Secar bem os ouvidos após banhos e piscina: inclinar a cabeça para escoar a água e usar a toalha suavemente na parte externa.
- Evitar cotonetes e objetos pontiagudos: eles empurram a cera e podem provocar lesões na pele do canal.
- Limitar o uso prolongado de fones intra-auriculares: fazer pausas regulares reduz calor e umidade acumulados.
- Higienizar fones e aparelhos auditivos: retira microrganismos que podem contaminar o ouvido.
- Usar protetores auriculares em ambientes úmidos: especialmente para quem nada com frequência, sob orientação profissional.
- Tratar doenças de pele associadas: dermatites e eczemas mal controlados favorecem novas crises.
- Não compartilhar fones nem aparelhos auditivos: reduz o risco de exposição a bactérias e fungos.
Diante de coceira persistente, dor ou saída de secreção pelo ouvido, o mais indicado é procurar um otorrinolaringologista para avaliação completa, diagnóstico correto e tratamento adequado, evitando a evolução do quadro e a perda temporária da audição.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.









