A apneia do sono é um distúrbio respiratório caracterizado por pausas repetidas na respiração durante a noite, que fragmentam o descanso e comprometem a oxigenação do organismo. Os principais sinais incluem ronco alto, engasgos noturnos, sono não reparador e sonolência excessiva durante o dia. O diagnóstico é confirmado por meio da polissonografia, exame considerado padrão-ouro, e o tratamento precoce ajuda a evitar complicações graves como hipertensão, arritmias e doenças cardiovasculares.
O que é a apneia do sono?
A apneia obstrutiva do sono é uma condição em que as vias aéreas superiores colapsam parcial ou totalmente durante o sono, interrompendo a respiração por segundos ou minutos, várias vezes por noite. Essas pausas provocam queda na oxigenação do sangue e microdespertares que a pessoa raramente percebe.
O resultado é um sono fragmentado e de baixa qualidade, que leva ao cansaço persistente e afeta o rendimento físico e mental. Sem tratamento, a apneia do sono aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares, metabólicas e neurológicas.
Quais os principais sintomas da apneia do sono?
Os sintomas da apneia podem se manifestar tanto durante a noite quanto ao longo do dia, e muitas vezes são notados primeiro por quem divide o quarto com a pessoa. Reconhecer os sinais precocemente é essencial para buscar avaliação médica adequada:
- Ronco alto e frequente: presente na maioria dos casos, com padrão irregular;
- Pausas respiratórias observadas por terceiros: silêncios seguidos de engasgos ou respiração ofegante;
- Sono não reparador: sensação de cansaço mesmo após uma noite completa de sono;
- Sonolência diurna excessiva: dificuldade de manter a atenção e episódios de cochilo involuntário;
- Dor de cabeça matinal: resultado da baixa oxigenação durante a noite;
- Boca seca ao acordar: sinal de respiração bucal noturna;
- Dificuldade de concentração e memória: reflexo do sono fragmentado;
- Irritabilidade e alterações de humor: comuns em quadros crônicos.

Como é feita a polissonografia?
A polissonografia é o exame padrão-ouro para o diagnóstico da apneia do sono e é realizada em um laboratório especializado, durante uma noite inteira de sono. Ela monitora simultaneamente respiração, oxigenação sanguínea, frequência cardíaca, atividade cerebral e movimentos oculares.
A partir desse exame, o médico calcula o Índice de Apneia e Hipopneia (IAH), que indica quantas pausas respiratórias ocorrem por hora de sono. Esse índice classifica a gravidade da apneia em leve (5 a 15), moderada (15 a 30) ou grave (acima de 30 eventos por hora).
O que um estudo científico mostra sobre a prevalência da apneia?
A apneia obstrutiva do sono é considerada um problema crescente de saúde pública, mas ainda permanece subdiagnosticada em grande parte da população mundial. Segundo o estudo Estimation of the global prevalence and burden of obstructive sleep apnoea, publicado na revista The Lancet Respiratory Medicine, cerca de 936 milhões de adultos entre 30 e 69 anos apresentam algum grau de apneia obstrutiva no mundo, sendo o Brasil o terceiro país com maior número de casos.
Os autores destacam que grande parte desses pacientes ainda não recebeu diagnóstico formal, o que reforça a importância da conscientização e do acesso a exames capazes de identificar o distúrbio precocemente.

Quem tem mais risco de desenvolver apneia do sono?
Embora qualquer pessoa possa desenvolver o distúrbio, alguns fatores aumentam significativamente as chances de aparecimento da apneia. Conhecer esses fatores permite prevenir e agir rapidamente:
- Sobrepeso e obesidade: principalmente com acúmulo de gordura no pescoço e abdômen;
- Idade acima de 40 anos: os tecidos da garganta perdem tônus com o envelhecimento;
- Sexo masculino: homens têm risco cerca de duas vezes maior que mulheres;
- Menopausa: aumenta a incidência entre mulheres devido à queda hormonal;
- Histórico familiar: predisposição genética pode influenciar o desenvolvimento;
- Alterações anatômicas: desvio de septo, amígdalas grandes ou queixo retraído;
- Consumo de álcool e sedativos: relaxam demais a musculatura da garganta;
- Tabagismo: favorece inflamação e obstrução das vias aéreas;
- Hipertensão e diabetes: condições frequentemente associadas ao distúrbio.
Reconhecer os sinais de apneia e buscar diagnóstico precoce é fundamental para preservar a qualidade de vida e prevenir complicações associadas a doenças cardiovasculares e ao sono de má qualidade. Diante de sintomas persistentes, é essencial consultar um pneumologista, otorrinolaringologista ou médico especialista em medicina do sono, que poderá indicar os exames adequados e orientar o tratamento mais eficaz, incluindo mudanças no estilo de vida, uso de aparelhos intraorais ou controle do peso corporal.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico diante de sinais persistentes de ronco, pausas respiratórias ou sonolência diurna.









