A trombose venosa profunda costuma ser associada a longos períodos sem se movimentar, como viagens de avião ou repouso pós-cirúrgico. No entanto, um fator muitas vezes ignorado tem papel decisivo na formação de coágulos: a desidratação. Quando o corpo recebe pouca água, o sangue fica mais espesso, circula com mais dificuldade e cria um ambiente propício à trombose, mesmo em pessoas que não passam muito tempo paradas. Entender essa relação ajuda a adotar hábitos simples que reduzem o risco no dia a dia.
Por que a desidratação aumenta o risco de trombose?
A água é essencial para manter o volume e a fluidez do sangue. Quando a ingestão de líquidos é baixa, o plasma se reduz e a proporção de células e proteínas coagulantes aumenta, o que eleva a viscosidade sanguínea e dificulta a circulação nas veias profundas.
Esse sangue mais espesso favorece a formação de coágulos, especialmente nas pernas, onde o retorno venoso já enfrenta a força da gravidade. A situação se agrava quando a desidratação se combina a outros fatores de risco, como imobilidade, uso de anticoncepcionais ou histórico familiar de trombose venosa profunda.
Como a baixa ingestão de água afeta a viscosidade sanguínea?
A viscosidade do sangue depende diretamente da proporção entre plasma e elementos figurados, como hemácias, plaquetas e proteínas. Com pouca água disponível, o hematócrito sobe e o sangue passa a fluir de forma mais lenta pelos vasos.
Esse efeito é ainda mais evidente em ambientes secos, com ar-condicionado ou em viagens prolongadas, situações em que a perda de líquidos costuma ser subestimada. A Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular reforça que manter a hidratação adequada é uma das medidas preventivas mais acessíveis contra eventos tromboembólicos.

O que a ciência mostra sobre desidratação e trombose?
Pesquisas recentes têm confirmado a relação entre baixa ingestão de líquidos e maior risco de eventos tromboembólicos. Segundo o estudo Dehydration and venous thromboembolism after acute stroke, publicado na revista QJM: An International Journal of Medicine, pacientes com indicadores bioquímicos de desidratação após acidente vascular cerebral apresentaram risco quase cinco vezes maior de desenvolver tromboembolismo venoso.
Os autores destacam que o achado reforça a importância de manter a hidratação adequada como estratégia preventiva, sobretudo em pessoas com fatores de risco adicionais. Esse resultado dialoga com orientações do National Institutes of Health, que incluem a desidratação entre os fatores modificáveis associados à trombose venosa profunda.
Quais são os principais fatores de risco para trombose?
A desidratação atua em conjunto com outros elementos que favorecem a formação de coágulos. Conhecer esses fatores ajuda a redobrar cuidados em situações específicas:
- Imobilidade prolongada, como viagens longas, pós-operatório ou repouso na cama
- Idade acima de 60 anos, que reduz a elasticidade dos vasos e a eficiência da circulação
- Uso de anticoncepcionais ou terapia de reposição hormonal com estrogênio
- Gravidez e puerpério, períodos com aumento natural da coagulação sanguínea
- Obesidade, que sobrecarrega o retorno venoso das pernas
- Tabagismo, que danifica o endotélio dos vasos e altera a coagulação
- Câncer e quimioterapia, que aumentam o estado pró-trombótico do organismo
- Histórico familiar ou pessoal de trombose ou trombofilias hereditárias

Como manter a hidratação para prevenir trombose?
Pequenas mudanças na rotina ajudam a preservar o volume adequado de líquidos no organismo e a proteger a circulação. Confira as principais estratégias recomendadas:
- Calcular a necessidade individual, multiplicando o peso corporal por cerca de 35 ml, conforme orientações da calculadora de consumo diário de água
- Distribuir a ingestão ao longo do dia, em vez de beber grandes volumes de uma só vez
- Manter uma garrafa por perto, para criar um lembrete visual constante
- Aumentar a ingestão em dias quentes, durante exercícios ou em viagens de avião
- Incluir frutas e legumes ricos em água, como melancia, pepino e laranja
- Movimentar as pernas periodicamente em viagens longas e no trabalho sentado
- Reduzir o consumo de álcool, que desidrata e aumenta a viscosidade sanguínea
- Observar a cor da urina, que deve manter tom amarelo bem claro ao longo do dia
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Em caso de dor, inchaço ou vermelhidão em uma das pernas, procure atendimento médico imediatamente para investigar a possibilidade de trombose.









