Suplementos de ômega-3 são muito usados para “proteger o coração”, mas não devem ser tratados como dose livre. A relação entre ômega-3 arritmia ganhou atenção porque estudos com cápsulas, especialmente em doses altas ou prescritas para risco cardiovascular, apontaram aumento do risco de fibrilação atrial.
Por que o alerta existe
A fibrilação atrial é uma arritmia em que os batimentos ficam irregulares e podem aumentar o risco de sintomas como palpitações, falta de ar, cansaço e tontura. Em algumas pessoas, também está associada a maior risco de AVC, principalmente quando não é diagnosticada e acompanhada.
Isso não significa que todo suplemento de ômega-3 seja perigoso, nem que peixes devam ser evitados. O ponto principal é que cápsulas concentradas de EPA e DHA podem atingir doses bem maiores do que a alimentação comum e devem ser usadas com indicação clara.

Sinais que merecem atenção
Quem começou ômega-3 em cápsulas ou aumentou a dose deve observar sintomas que podem sugerir alteração do ritmo cardíaco, especialmente se já houver doença no coração.
- Palpitações ou sensação de coração acelerado e irregular.
- Tontura, fraqueza, falta de ar ou desconforto no peito.
- Cansaço fora do habitual durante atividades simples.
- Histórico de fibrilação atrial, infarto, insuficiência cardíaca ou AVC.
- Uso de anticoagulantes, antiagregantes ou remédios para arritmia.
O que a meta-análise mostrou
A revisão sistemática e meta-análise Efficacy and Safety of Omega-3 Fatty Acids in the Prevention of Cardiovascular Disease, publicada na revista Cardiovascular Drugs and Therapy, avaliou 15 ensaios clínicos randomizados sobre suplementos de ômega-3 e prevenção cardiovascular.
Os autores observaram redução discreta de alguns desfechos cardiovasculares, como eventos cardiovasculares maiores, infarto e morte cardiovascular. Porém, também identificaram aumento do risco de fibrilação atrial no grupo que usou ômega-3, com risco relativo de 1,25 em comparação ao controle.
Quando o cuidado deve ser maior
O risco pode depender da dose, do tipo de formulação, do perfil da pessoa e do motivo do uso. Por isso, cápsulas compradas livremente não devem substituir avaliação médica, especialmente quando o objetivo é “prevenir” doença cardiovascular.
- Evite usar doses altas sem prescrição, principalmente acima do necessário no rótulo.
- Informe ao médico se usa ômega-3 antes de exames, cirurgias ou novos remédios.
- Não combine vários suplementos com EPA e DHA sem somar a dose total.
- Procure orientação se houver colesterol, triglicerídeos altos ou doença cardíaca.
- Interrompa a automedicação e busque avaliação se surgirem palpitações.
Também vale entender melhor para que serve o ômega-3, já que o benefício pode variar conforme alimentação, exames, doenças associadas e forma de uso.

Como usar sem transformar em excesso
Para muitas pessoas, priorizar fontes alimentares, como peixes, sementes e oleaginosas, pode ser mais adequado do que iniciar cápsulas por conta própria. Quando o suplemento é indicado, a dose deve considerar triglicerídeos, risco cardiovascular, remédios em uso e histórico de arritmia.
A mensagem prática é simples: ômega-3 não é “quanto mais, melhor”. Em cápsulas, ele deve ser tratado como um suplemento com efeitos reais, benefícios possíveis e riscos que precisam ser pesados individualmente.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









