O zumbido ouvido persistente pode incomodar no silêncio, atrapalhar o sono e afetar a concentração. Uma nova abordagem, chamada neuromodulação bimodal, combina sons ouvidos por fones com pequenos estímulos elétricos na língua para tentar reduzir a percepção do zumbido.
O que é zumbido no ouvido
O zumbido é a percepção de som sem uma fonte externa real. Pode parecer apito, chiado, cigarra, pressão ou ruído contínuo, em um ou nos dois ouvidos.
Ele pode estar ligado à perda auditiva, exposição a barulho intenso, envelhecimento, infecções, alterações na mandíbula, estresse ou uso de alguns remédios. Entenda também as causas comuns de zumbido no ouvido.

Como o aparelho combina som e língua
O dispositivo usa fones de ouvido para entregar estímulos sonoros personalizados e uma pequena peça colocada na boca para estimular a parte anterior da língua com impulsos elétricos leves.
- O som ativa vias auditivas envolvidas na percepção do zumbido;
- O estímulo na língua alcança nervos sensoriais ligados ao tronco cerebral;
- A combinação busca induzir plasticidade cerebral;
- O objetivo é reduzir o incômodo, não “desligar” imediatamente o som.
O que o estudo científico mostrou
Segundo o ensaio clínico pivotal multicêntrico Combining sound with tongue stimulation for the treatment of tinnitus, publicado na Nature Communications, o estudo TENT-A3 avaliou 112 participantes com zumbido usando 6 semanas de som sozinho, seguidas de 6 semanas de som combinado com estímulo na língua.
Entre pessoas que ainda tinham zumbido moderado ou mais grave no início da fase bimodal, 58,6% responderam ao tratamento combinado, contra 43,2% na fase de som isolado. O estudo também relatou ausência de eventos adversos graves relacionados ao dispositivo e contribuiu para a aprovação De Novo do aparelho pela FDA.
Quem pode se beneficiar
A neuromodulação bimodal tende a ser considerada para pessoas com zumbido persistente e impacto relevante na qualidade de vida, especialmente quando medidas simples não são suficientes.
- Pessoas com zumbido crônico que incomoda diariamente;
- Quem já fez avaliação auditiva e descartou causas tratáveis;
- Pacientes com sintomas moderados ou intensos;
- Pessoas capazes de seguir sessões regulares por várias semanas.

O que saber antes de usar
O aparelho não é uma cura universal e não funciona da mesma forma para todos. No estudo, o benefício foi mais claro em participantes com zumbido ao menos moderado durante a fase de tratamento combinado.
Também é importante investigar sinais de alerta, como perda auditiva súbita, tontura intensa, dor, secreção, zumbido pulsátil ou sintomas em apenas um ouvido. Nesses casos, a avaliação com otorrinolaringologista deve vir antes de qualquer dispositivo.
A principal novidade é que o tratamento tenta treinar o cérebro com dois estímulos ao mesmo tempo. Ainda assim, o cuidado do zumbido costuma envolver avaliação auditiva, controle de ansiedade, proteção contra ruídos, sono adequado e acompanhamento especializado.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









