A relação entre maconha coração ganhou novo peso porque estudos recentes associam o uso de cannabis a maior risco de infarto, AVC, insuficiência cardíaca e morte cardiovascular. O alerta não significa que todo usuário terá um evento grave, mas mostra que a maconha não deve ser tratada como inofensiva para o sistema cardiovascular.
Por que a maconha pode afetar o coração
A cannabis pode alterar frequência cardíaca, pressão arterial, demanda de oxigênio do músculo cardíaco e funcionamento dos vasos. Em algumas pessoas, esse conjunto pode facilitar dor no peito, arritmias, infarto ou AVC, principalmente quando há outros fatores de risco escondidos.
Segundo o American College of Cardiology, cardiologistas defendem que perguntar sobre cannabis faça parte da avaliação de risco cardiovascular, de forma semelhante ao que já acontece com cigarro, álcool e outras substâncias.

O que diz o estudo científico sobre maconha coração
Um dos trabalhos que reacendeu o debate foi o estudo retrospectivo multicêntrico Myocardial Infarction and Cardiovascular Risks Associated With Cannabis Use, publicado no JACC: Advances. A análise usou registros de saúde de mais de 4,6 milhões de adultos com até 50 anos, sem diabetes, tabagismo, doença coronariana prévia ou colesterol e pressão fora da faixa considerada saudável no início.
Os pesquisadores observaram que usuários de cannabis tiveram risco maior de eventos cardiovasculares no acompanhamento, incluindo mais infarto, AVC isquêmico, insuficiência cardíaca e desfechos combinados como morte cardiovascular, infarto ou AVC. Por ser observacional, o estudo mostra associação, mas não prova que a maconha foi a causa direta em todos os casos.
Por que jovens saudáveis também entram no alerta
O ponto que mais chamou atenção foi a presença de risco aumentado mesmo em pessoas jovens e sem fatores clássicos aparentes. Isso não elimina dúvidas sobre dose, frequência, forma de uso e outras substâncias, mas muda a percepção de segurança.
- Fumar cannabis pode expor o organismo a produtos de combustão semelhantes aos do tabaco;
- THC em altas concentrações pode aumentar batimentos e pressão em algumas pessoas;
- Uso junto com álcool, cocaína ou tabaco pode ampliar riscos cardiovasculares;
- Histórico familiar de infarto precoce pode tornar o risco menos visível em exames simples.
Sinais que exigem atendimento imediato
Quem usa cannabis deve conhecer sintomas de alerta, especialmente se eles surgem durante ou logo após o consumo. Infarto e AVC podem acontecer mesmo em adultos jovens, e esperar para ver se melhora pode atrasar o tratamento.
- Dor, pressão ou aperto no peito, com ou sem irradiação para braço, costas, pescoço ou mandíbula;
- Falta de ar, suor frio, náusea ou desmaio;
- Fraqueza em um lado do corpo, boca torta ou dificuldade para falar;
- Palpitações fortes ou batimentos irregulares acompanhados de tontura ou mal-estar.

Como reduzir o risco cardiovascular
A orientação mais segura é conversar com o médico com honestidade sobre uso de maconha, incluindo frequência, forma de consumo, concentração aproximada e uso junto com outras substâncias. Essa informação ajuda a interpretar palpitações, dor no peito, pressão alta e risco familiar. Para entender melhor sinais de emergência, veja também o conteúdo do Tua Saúde sobre sintomas de infarto.
Pessoas com hipertensão, arritmia, colesterol alto, diabetes, doença cardíaca, AVC prévio ou histórico familiar forte devem ter cautela redobrada. Mais do que alarmar, o recado dos cardiologistas é tratar cannabis como um possível fator de risco, e não como algo neutro para o coração.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, especialmente cardiologista, clínico geral ou neurologista.









