Um implante de retina chamado PRIMA recebeu aval regulatório na Europa para ajudar pessoas com degeneração macular avançada a recuperar parte da visão central, especialmente a capacidade de ler letras, números e palavras. A tecnologia não “cura” a doença, mas pode criar uma nova via para transformar imagens em sinais percebidos pelo cérebro.
O que é degeneração macular
A degeneração macular relacionada à idade afeta a mácula, região central da retina responsável por enxergar detalhes, ler, reconhecer rostos e perceber objetos à frente. Quando essa área se deteriora, a pessoa pode manter alguma visão lateral, mas perde nitidez no centro do campo visual.
O implante foi estudado principalmente em pessoas com atrofia geográfica, forma avançada da degeneração macular seca. Nesse estágio, células sensíveis à luz deixam de funcionar, mas outras camadas da retina ainda podem responder a estímulos elétricos.

O que o estudo científico mostrou
O avanço ganhou destaque porque a pesquisa avaliou pacientes com perda visual grave e mediu se o sistema poderia devolver uma visão central funcional. O objetivo principal não era restaurar visão normal, mas permitir tarefas práticas, como identificar caracteres e palavras.
Segundo o estudo clínico multicêntrico Subretinal Photovoltaic Implant to Restore Vision in Geographic Atrophy Due to AMD, publicado no New England Journal of Medicine, o sistema PRIMA melhorou a acuidade visual com o uso dos óculos especiais e permitiu que mais de 80% dos participantes lessem letras, números ou palavras após o acompanhamento.
Como o implante funciona
O sistema combina cirurgia, óculos especiais e processamento digital. A ideia é substituir parte da função perdida dos fotorreceptores, células que normalmente captam luz na retina.
- Um microchip sub-retiniano é colocado sob a retina;
- Óculos com câmera captam a imagem à frente da pessoa;
- Um processador transforma a imagem em sinais de luz infravermelha;
- O implante converte esses sinais em estímulos elétricos;
- As células restantes da retina enviam a informação ao cérebro.
Quem pode se beneficiar
O tratamento não é indicado para todo tipo de perda de visão. Ele foi desenvolvido para casos selecionados de degeneração macular seca avançada, especialmente quando há perda importante da visão central, mas alguma estrutura retinal ainda consegue transmitir sinais.
- Pessoas com atrofia geográfica avançada por degeneração macular;
- Pacientes com grande dificuldade para ler por perda da visão central;
- Casos avaliados por especialista em retina;
- Pessoas capazes de passar por cirurgia e reabilitação visual;
- Pacientes com expectativas realistas sobre visão parcial, não normal.

O que muda para pacientes
O aval europeu torna a tecnologia mais próxima do uso clínico, mas sua adoção deve ser gradual e dependerá de centros especializados, treinamento, custo, reembolso e seleção cuidadosa dos pacientes. A recuperação também exige adaptação, porque o cérebro precisa aprender a interpretar as novas imagens.
Para quem tem sintomas como mancha escura central, linhas tortas ou piora da leitura, a avaliação precoce continua essencial. Veja também mais informações sobre degeneração macular, suas causas, sintomas e opções de acompanhamento.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









