Usar o celular no vaso sanitário parece inofensivo, mas um estudo publicado em 2025 mostrou que esse hábito está associado a mais tempo sentado no banheiro e a uma chance maior de hemorroidas identificadas em colonoscopia. A pesquisa observou uma associação, e não uma relação de causa comprovada, mas os resultados chamam atenção para um comportamento cada vez mais comum. Pessoas que levavam o celular ao banheiro tinham cerca de 46% mais chance de apresentar hemorroidas, mesmo após ajuste para fatores como idade, atividade física, ingestão de fibras e esforço para evacuar.
O que o estudo avaliou?
O trabalho, conduzido no Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston, acompanhou 125 adultos que fariam colonoscopia de rotina. Os participantes responderam a questionários sobre o uso do celular no banheiro, hábitos intestinais, ingestão de fibras, atividade física e esforço para evacuar.
A presença de hemorroidas foi avaliada durante o exame por dois endoscopistas independentes, que não sabiam das respostas dadas nos questionários. Essa cegueira reduz a chance de que a opinião prévia dos avaliadores influenciasse o diagnóstico.
Quais foram os principais achados?
Dos participantes, 66% relataram usar o celular no vaso sanitário, e 43% apresentaram hemorroidas visíveis na colonoscopia. Entre os usuários de celular, 37% passavam mais de cinco minutos por visita ao banheiro, contra apenas 7% dos não usuários.
Na análise que ajustou os principais fatores de risco conhecidos, o uso do celular no banheiro foi associado a 46% mais chance de hemorroidas. As atividades mais frequentes no vaso foram ler notícias e navegar em redes sociais.

Por que ficar mais tempo sentado pode favorecer as hemorroidas?
Diferente do ato de sentar em uma cadeira ou sofá, o vaso sanitário não oferece apoio ao assoalho pélvico, o que aumenta a pressão nos vasos sanguíneos da região anal. Com o tempo, essa pressão pode contribuir para o inchaço e a dilatação das veias, favorecendo o aparecimento das hemorroidas.
Curiosamente, os pesquisadores não encontraram diferença significativa no esforço para evacuar entre usuários e não usuários. Isso sugere que o tempo prolongado sentado, e não necessariamente a força, pode ter um papel importante nesse contexto, o que também dialoga com fatores clássicos como prisão de ventre e sedentarismo.
Como um estudo científico contextualiza a associação?
Os autores destacam que a análise mostrou correlação, e não causa direta, e que outros fatores podem influenciar o quadro. Ainda assim, o padrão observado abre espaço para reconsiderar hábitos aparentemente inofensivos.
De acordo com o estudo Smartphone use on the toilet and the risk of hemorrhoids, publicado na revista PLoS One em 2025 e indexado no PubMed, o uso do celular no banheiro esteve associado a um risco 46% maior de hemorroidas identificadas por colonoscopia, após ajuste para idade, sexo, índice de massa corporal, exercício físico, esforço evacuatório e ingestão de fibras. Os autores concluíram que o engajamento prolongado com o celular durante o uso do vaso pode estar associado a maior prevalência de hemorroidas, sem afirmar que o hábito, isoladamente, é uma causa comprovada da condição.

Quais são as limitações e o que considerar na rotina?
Apesar do desenho cuidadoso, alguns pontos limitam a generalização dos resultados. Confira as principais considerações:
- Estudo transversal, que mede exposição e desfecho ao mesmo tempo e não permite estabelecer causa e efeito
- Amostra pequena, com 125 participantes de um único centro médico, o que reduz o poder de generalização
- População composta principalmente por adultos com 45 anos ou mais, submetidos a colonoscopia de rastreamento
- Dados de comportamento coletados por autorrelato, sujeitos a vieses de memória
- Ausência de avaliação do tempo total de uso do celular ao longo da vida e do padrão em outros momentos
- Impossibilidade de descartar fatores não medidos, como estresse, tempo prolongado sentado no trabalho e histórico familiar
Na prática, os achados reforçam recomendações antigas dos proctologistas: evitar permanecer mais de cinco minutos no vaso, deixar o celular fora do banheiro, manter uma alimentação rica em fibras, boa hidratação e prática regular de atividade física. Diante de sintomas como dor anal, coceira persistente, sangramento nas fezes ou saliência na região anal, a avaliação com proctologista ou gastroenterologista é essencial para diagnóstico e tratamento adequados.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de sintomas persistentes, procure orientação médica.









