Notar uma área endurecida na sola do pé, com superfície áspera e pequenos pontos pretos no meio, costuma levantar a suspeita de calo, mas nem sempre é o caso. Essa combinação de sinais é característica da verruga plantar, uma lesão causada pelo vírus HPV que pode ser confundida com calosidade por causa da textura e da localização. Os pontos escuros dentro da lesão são pequenos vasos sanguíneos coagulados, um detalhe que ajuda a diferenciar as duas condições. Reconhecer essa pista visual permite buscar o tratamento certo antes que a lesão cresça ou se multiplique.
O que é a verruga plantar?
A verruga plantar, também chamada popularmente de olho de peixe, é uma lesão benigna da pele que surge na sola do pé por infecção pelo papilomavírus humano, o HPV. Os subtipos mais associados a esse quadro são o HPV 1, 2, 4, 27 e 57.
Como fica em uma região de constante pressão, a verruga plantar tende a crescer para dentro em vez de para fora, formando uma área endurecida, dolorida e com aparência de calo. Costuma medir alguns milímetros, mas pode aumentar ou aparecer em grupo.
Por que os pequenos pontos pretos aparecem?
Diferentemente do que muita gente pensa, os pontos escuros no centro da lesão não são sementes nem raízes da verruga. Trata-se de pequenos capilares sanguíneos que se romperam e coagularam dentro do tecido infectado pelo HPV.
Esses vasinhos ficam mais visíveis quando a camada superficial da pele é raspada com uma pedra-pomes ou lixa, revelando os pontos escuros no meio da lesão. Esse detalhe é um dos principais sinais clínicos para diferenciar a verruga plantar de um calo simples.

Como diferenciar verruga plantar de um calo?
Calo e verruga plantar têm aparência semelhante à primeira vista, especialmente porque ambos formam áreas endurecidas na sola. No entanto, existem diferenças importantes que ajudam a identificar cada quadro.
Alguns sinais ajudam na distinção:
- Pontos pretos no centro da lesão, presentes na verruga e ausentes no calo.
- Interrupção das linhas naturais da pele sobre a verruga, enquanto o calo mantém essas linhas contínuas.
- Dor ao apertar a lesão lateralmente, sensação típica da verruga plantar; o calo dói ao pressionar de cima.
- Localização em áreas de pouca pressão, como o meio da sola, mais comum na verruga; o calo aparece em pontos de atrito, como cabeças dos metatarsos e calcanhares.
- Possibilidade de aparecer em grupo ou multiplicar-se, característica da verruga e não do calo.
Como o quadro é transmitido e evolui?
O vírus HPV que causa a verruga plantar circula em superfícies úmidas e compartilhadas, como pisos de piscinas, vestiários, chuveiros públicos e academias. A infecção ocorre quando o vírus entra por pequenas fissuras ou cortes na pele do pé.
Após o contato, a lesão pode levar semanas ou meses para aparecer. Em muitas pessoas, a verruga desaparece sozinha em até dois anos, mas nem sempre é possível esperar, principalmente quando há dor ao caminhar, aumento do tamanho ou surgimento de novas lesões próximas, chamadas de olho de peixe em mosaico.

O que dizem os estudos sobre o tratamento?
A literatura médica orienta o manejo desse quadro tão comum. Segundo a revisão Plantar Warts Epidemiology Pathophysiology and Clinical Management, publicada na revista científica Journal of the American Osteopathic Association, a verruga plantar é uma lesão cutânea comum causada pelo HPV, com aspecto muitas vezes confundido com calo e presença característica de pequenos capilares trombosados no interior.
Os autores destacam que o tratamento costuma envolver ácido salicílico tópico, crioterapia para tirar verrugas, imunoterapia intralesional e, em casos resistentes, procedimentos como laser ou cirurgia. Diante de uma lesão áspera com pontos pretos, endurecida e dolorosa na sola do pé, o ideal é procurar um dermatologista para confirmar o diagnóstico e definir o tratamento mais adequado, evitando a disseminação para outras áreas do corpo ou para outras pessoas.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um médico ou profissional de saúde qualificado. Em caso de sintomas persistentes, procure orientação especializada.









