A anemia por falta de ferro nem sempre acontece por comer pouco ferro. Quando o quadro persiste mesmo com suplementação, uma das causas investigadas pode estar no estômago: a infecção por H pylori, bactéria capaz de provocar gastrite crônica e dificultar a recuperação dos estoques de ferro.
Como o estômago entra nessa conta
O ferro dos alimentos e dos suplementos precisa ser bem absorvido pelo organismo. Quando existe inflamação crônica no estômago, alteração da acidez ou pequenas perdas de sangue por gastrite e úlceras, essa absorção pode ficar prejudicada.
Segundo os Manuais MSD, o H pylori é um patógeno gástrico comum, pode ser assintomático e está associado a gastrite, úlcera péptica e outras doenças do estômago. Por isso, em alguns casos, a anemia resistente ao ferro exige olhar além da alimentação.

Sinais que pedem investigação
A anemia ferropriva pode causar sintomas gerais, enquanto a infecção por H pylori pode não provocar sinais digestivos claros. A combinação abaixo merece conversa com o médico, especialmente quando o suplemento não melhora os exames.
- Cansaço persistente, fraqueza ou falta de ar aos esforços;
- Palidez, tontura, queda de cabelo ou unhas frágeis;
- Ferritina baixa apesar do uso correto de ferro;
- Dor ou queimação no estômago, náuseas ou empachamento;
- Histórico de gastrite, úlcera ou fezes escurecidas.
O que um estudo científico mostrou
Segundo a metanálise de ensaios clínicos randomizados Iron deficiency anaemia can be improved after eradication of Helicobacter pylori, publicada no Postgraduate Medical Journal, tratar o H pylori junto com ferro foi mais eficaz do que usar ferro sozinho para melhorar hemoglobina e ferritina em pessoas com anemia ferropriva.
Esse resultado não significa que toda anemia seja causada pela bactéria. Ele reforça que, quando a anemia não responde como esperado, a investigação de H pylori pode fazer parte da avaliação, junto com outras causas de perda ou má absorção de ferro.
Quais exames ajudam
O médico pode combinar exames de sangue com testes específicos para a bactéria. A escolha depende da idade, sintomas, gravidade da anemia e presença de sinais de alerta digestivo.
- Hemograma, ferritina, ferro sérico e saturação de transferrina;
- Pesquisa de sangue oculto nas fezes, quando há suspeita de sangramento;
- Teste respiratório com ureia ou antígeno fecal para H pylori;
- Endoscopia com biópsia quando há indicação clínica;
- Avaliação de menstruação intensa, dieta, doença celíaca e uso de anti-inflamatórios.

O que muda no tratamento
Quando o H pylori é confirmado, o tratamento costuma envolver remédios para reduzir a acidez do estômago e antibióticos, conforme prescrição médica. Após o tratamento, pode ser necessário confirmar a erradicação da bactéria e acompanhar a recuperação da ferritina.
Também é importante não aumentar a dose de ferro por conta própria, porque isso pode causar náuseas, prisão de ventre e dor abdominal sem resolver a causa. Para entender melhor sintomas e causas, veja também o conteúdo sobre H pylori.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento indicado por um médico.









