Os microplásticos deixaram de ser apenas uma preocupação ambiental e passaram a chamar atenção da cardiologia. Um estudo encontrou partículas de plástico dentro de placas de gordura retiradas das artérias carótidas e associou esse achado a maior risco de infarto, AVC e morte durante o acompanhamento.
O que foi encontrado nas artérias
As placas de aterosclerose são depósitos de gordura, células inflamatórias e outras substâncias que se acumulam na parede das artérias. Quando crescem ou se rompem, podem dificultar a circulação e favorecer eventos graves, como infarto e AVC.
No estudo, os pesquisadores analisaram placas retiradas da artéria carótida, que leva sangue ao cérebro. Em parte dos pacientes, foram detectados microplásticos e nanoplásticos, especialmente polietileno e PVC, materiais comuns em embalagens, sacolas, garrafas e outros produtos do dia a dia.

O que o estudo científico mostrou
Segundo o estudo observacional prospectivo Microplastics and Nanoplastics in Atheromas and Cardiovascular Events, publicado no New England Journal of Medicine, pacientes com microplásticos ou nanoplásticos nas placas da carótida tiveram maior risco de um desfecho combinado de infarto, AVC ou morte por qualquer causa.
A pesquisa avaliou 257 pessoas submetidas à cirurgia para retirada de placas da carótida e acompanhou os participantes por cerca de 34 meses. O polietileno foi encontrado em 150 pacientes, e o PVC em 31, com risco cardiovascular maior no grupo em que essas partículas foram detectadas.
Por que isso preocupa
O achado preocupa porque sugere que partículas invisíveis de plástico podem chegar a tecidos importantes e se alojar em placas já inflamadas. Ainda não se sabe se elas apenas acompanham o processo ou se ajudam a piorar a instabilidade das placas.
- Microplásticos são fragmentos geralmente menores que 5 milímetros;
- Nanoplásticos são ainda menores e podem atravessar barreiras biológicas;
- Essas partículas podem vir de água, alimentos, ar, poeira e embalagens;
- Estudos investigam possíveis efeitos sobre inflamação e estresse oxidativo;
- O risco cardiovascular continua dependente de fatores clássicos, como pressão alta, diabetes, colesterol e tabagismo.
O que o estudo não prova
Apesar do impacto dos resultados, o estudo mostra uma associação, não uma prova de causa direta. Isso significa que não é possível afirmar que os microplásticos, sozinhos, tenham causado infarto, AVC ou morte nos participantes.
- A pesquisa avaliou pessoas que já tinham doença na carótida;
- O número de participantes foi relativamente pequeno;
- Não é possível medir toda a exposição individual ao plástico ao longo da vida;
- Outros fatores de risco podem influenciar o resultado;
- Novos estudos precisam confirmar os mecanismos envolvidos.

Como reduzir a exposição no dia a dia
Não existe uma forma garantida de eliminar totalmente o contato com microplásticos, mas algumas medidas podem reduzir a exposição. Evitar aquecer comida em recipientes plásticos, preferir vidro ou inox quando possível e reduzir o uso de descartáveis são atitudes simples.
Também vale cuidar dos fatores cardiovasculares já conhecidos, como alimentação equilibrada, atividade física, controle da pressão e do colesterol. Para entender melhor o tema, veja o conteúdo do Tua Saúde sobre microplásticos e possíveis riscos para a saúde.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, que deve orientar a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de doenças cardiovasculares.









