Sentir tudo girar por poucos segundos ao rolar na cama, levantar a cabeça no travesseiro ou olhar para cima assusta, mas costuma ter uma explicação bem específica: uma alteração no ouvido interno. Esse padrão de tontura súbita, breve e desencadeada por movimentos da cabeça é a marca registrada da vertigem posicional paroxística benigna, uma das causas mais comuns de vertigem em adultos. Reconhecer as características desse quadro ajuda a diferenciá-lo de outros tipos de tontura e a buscar o tratamento certo.
O que é a vertigem posicional paroxística benigna?
A vertigem posicional paroxística benigna, conhecida pela sigla VPPB, é um distúrbio do equilíbrio causado pelo deslocamento de pequenos cristais de cálcio dentro do ouvido interno. Esses cristais saem de sua posição normal e entram nos canais semicirculares, responsáveis por perceber os movimentos da cabeça.
Quando a pessoa muda de posição, os cristais se movem dentro do canal e enviam sinais confusos ao cérebro. O resultado é uma sensação intensa de que o ambiente está girando, geralmente durando menos de um minuto.
Qual é a diferença entre vertigem e outros tipos de tontura?
Nem toda tontura é vertigem, e essa distinção é importante para orientar o diagnóstico. A vertigem envolve a sensação de que o ambiente ou o próprio corpo está girando, com origem geralmente no ouvido interno ou no sistema nervoso.
Já a tontura por fraqueza, queda de pressão ou hipoglicemia costuma provocar sensação de desmaio iminente, escurecimento da visão e cansaço, sem giro. Entender a vertigem como um sintoma específico ajuda a identificar sua origem com mais precisão.

Quais movimentos costumam desencadear as crises?
A VPPB tem um padrão bem característico e a maioria dos pacientes reconhece os gatilhos com facilidade. Os movimentos mais associados às crises são:
- Rolar de um lado para o outro na cama, especialmente ao despertar durante a noite;
- Deitar-se ou levantar-se rapidamente, principalmente ao sair da posição horizontal;
- Olhar para cima, como ao pegar objetos em prateleiras altas;
- Abaixar a cabeça, ao amarrar os sapatos ou pegar algo no chão;
- Movimentos bruscos de cabeça, ao virar rapidamente para os lados;
- Inclinar a cabeça para trás, como no lavatório do salão de beleza;
- Alongar-se ao acordar, quando a posição da cabeça muda de forma súbita.
Como um estudo científico corrobora esse quadro?
A ciência tem definido com precisão os critérios diagnósticos e as melhores estratégias de tratamento para a VPPB. Uma diretriz clínica de referência internacional reuniu as evidências mais consistentes sobre o assunto e orienta a conduta médica ao redor do mundo.
Segundo a diretriz Clinical Practice Guideline: Benign Paroxysmal Positional Vertigo (Update), publicada na Otolaryngology–Head and Neck Surgery e indexada no PubMed, a VPPB pode ser tratada com eficácia por manobras específicas de reposicionamento dos cristais, como a manobra de Epley, que resolvem o quadro em mais de 90% dos casos. O documento destaca ainda que a condição é responsável por até 42% dos diagnósticos entre pacientes com vertigem, o que reforça a importância de investigação adequada com um otorrinolaringologista sempre que houver tontura ao deitar ou levantar de forma recorrente.

Quando é hora de procurar avaliação médica?
Embora seja considerada benigna, a VPPB não deve ser negligenciada. Crises frequentes aumentam o risco de quedas, prejudicam o sono e comprometem atividades simples do dia a dia. A avaliação especializada permite confirmar o diagnóstico pela manobra de Dix-Hallpike e aplicar as manobras terapêuticas corretas.
Também é fundamental buscar atendimento quando a tontura vem acompanhada de fraqueza em um lado do corpo, dor de cabeça intensa, visão dupla, dificuldade para falar ou perda auditiva, sinais que podem indicar outras condições, incluindo labirintite ou problemas neurológicos que exigem investigação urgente.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico de confiança para orientação individualizada.









