Um reflexo esbranquiçado que aparece em apenas um dos olhos da criança em fotos tiradas com flash pode não ser apenas um capricho da câmera. Esse fenômeno é chamado de leucocoria e funciona como um alerta visual precoce para diferentes condições oculares, incluindo o retinoblastoma, um tumor raro que atinge principalmente crianças pequenas. Como a mancha branca pode surgir apenas em certos ângulos ou em algumas fotografias, ficar atento a esse sinal e buscar avaliação especializada pode fazer diferença na preservação da visão.
O que é a leucocoria?
Leucocoria é o termo técnico para o reflexo branco que aparece na pupila quando uma fonte de luz, como o flash de uma câmera, incide sobre o olho. Em olhos saudáveis, essa luz atravessa a pupila e reflete nos vasos sanguíneos da retina, produzindo o clássico reflexo vermelho visto em fotografias.
Quando existe alguma alteração dentro do olho que impede a passagem normal da luz, o reflexo pode se tornar esbranquiçado, amarelado ou opaco. Essa mudança de cor costuma ser sutil e nem sempre é visível a olho nu, o que torna as fotos com flash uma ferramenta importante de observação em casa.
Por que o reflexo pode aparecer só em um olho e em algumas fotos?
A leucocoria não segue um padrão constante e pode variar conforme a posição do olhar da criança, a distância do flash e o ângulo da câmera no momento do registro. Por isso, é comum que o reflexo branco apareça em apenas algumas fotografias e desapareça em outras da mesma sessão.
Quando a alteração atinge somente um dos olhos, o reflexo pode se manifestar de forma assimétrica, com um olho apresentando a coloração vermelha esperada e o outro exibindo uma mancha esbranquiçada. Essa diferença entre os dois olhos é um sinal de alerta e merece avaliação médica sem demora.

Quais condições podem causar leucocoria?
A leucocoria não é uma doença em si, mas um sinal clínico que pode estar associado a diferentes alterações oculares na infância. Entre as principais causas investigadas pelo oftalmologista estão:
- Retinoblastoma, tumor maligno raro da retina, mais comum em crianças menores de 5 anos;
- Catarata congênita, opacificação do cristalino presente desde o nascimento;
- Doença de Coats, alteração vascular da retina que provoca acúmulo de líquido;
- Retinopatia da prematuridade, comum em bebês que nasceram muito prematuros;
- Persistência do vítreo primário, malformação em que estruturas fetais do olho não regridem;
- Descolamento de retina e outras cicatrizes internas do fundo do olho.
Como um estudo científico mostra o papel das fotografias na detecção precoce?
A observação atenta de fotos domésticas ganhou reconhecimento científico como forma de identificar precocemente alterações oculares graves. Um estudo publicado no periódico PLoS ONE analisou de forma longitudinal cerca de 7.000 fotografias recreativas de uma criança com retinoblastoma bilateral, tiradas entre o nascimento e os 3 anos de idade.
Segundo o Colorimetric and Longitudinal Analysis of Leukocoria in Recreational Photographs of Children with Retinoblastoma, publicado no PLoS ONE, a leucocoria pôde ser detectada em fotos comuns bem antes do diagnóstico clínico e sua frequência aumentava conforme o tumor crescia. Os autores destacam que em grande parte dos casos de retinoblastoma nos Estados Unidos, o diagnóstico começa justamente quando os pais percebem o reflexo branco recorrente em fotografias da criança.

Quando procurar ajuda médica e como confirmar o diagnóstico?
Diante de qualquer suspeita de reflexo branco em fotos, o mais indicado é procurar um pediatra ou oftalmologista pediátrico para realizar o teste do olhinho, também chamado de teste do reflexo vermelho. Esse exame simples permite comparar o reflexo dos dois olhos e é recomendado nas primeiras 72 horas de vida e repetido nas consultas de rotina nos primeiros anos.
Além da leucocoria, alguns sinais associados aumentam a urgência da avaliação profissional e não devem ser ignorados pelos responsáveis:
- Desalinhamento dos olhos ou surgimento repentino de estrabismo infantil;
- Vermelhidão persistente, inchaço ou dor em um dos olhos;
- Sensibilidade aumentada à luz e piscar excessivo;
- Diferença de cor entre as íris ou mudança recente na coloração dos olhos;
- Dificuldade para enxergar objetos, esbarrar em móveis ou não acompanhar o rosto dos cuidadores;
- Aumento do tamanho de um dos globos oculares.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Diante de qualquer sinal de alerta na visão da criança, procure orientação médica.









