A relação entre saúde bucal coração tem ganhado atenção porque a doença na gengiva não fica limitada à boca. Quando há inflamação crônica, sangramento e perda de suporte dos dentes, o organismo pode manter um estado inflamatório que também se associa a maior risco de infarto e AVC.
Como a gengiva afeta o coração
A gengivite começa com acúmulo de placa bacteriana e pode evoluir para periodontite, quando a inflamação atinge estruturas mais profundas. Nessa fase, a gengiva pode sangrar, retrair e deixar os dentes mais sensíveis ou móveis.
Segundo a Harvard Health Publishing, pessoas com doença periodontal tendem a ter mais fatores de risco cardiovascular, como diabetes, pressão alta, colesterol alto e obesidade, o que ajuda a explicar parte da ligação entre boca e coração.

O que diz o estudo científico
Segundo o estudo caso-controle Severe and moderate periodontitis are associated with acute myocardial infarction, publicado no Journal of Periodontology, pessoas com periodontite moderada ou grave tiveram maior chance de infarto agudo do miocárdio em comparação com aquelas sem periodontite.
O estudo encontrou uma associação que variou de cerca de duas a quatro vezes, dependendo do critério usado para classificar a doença periodontal. Isso não prova que a gengiva causa infarto sozinha, mas reforça que inflamação oral persistente não deve ser ignorada.
Sinais de alerta na boca
A doença periodontal pode evoluir devagar e, muitas vezes, sem dor intensa. Por isso, observar sinais simples no dia a dia ajuda a procurar o dentista antes que o problema avance.
- Gengiva sangrando ao escovar ou passar fio dental;
- Gengiva vermelha, inchada ou sensível;
- Mau hálito frequente;
- Retração gengival ou dentes parecendo mais longos;
- Dentes amolecidos ou mudança na mordida;
- Dor ao mastigar ou presença de pus.
Quem precisa cuidar mais
A atenção deve ser maior em pessoas que já têm fatores de risco para doenças cardiovasculares. Nesses casos, cuidar da boca faz parte de uma estratégia mais ampla para reduzir inflamação e proteger os vasos sanguíneos.
- Pessoas com diabetes ou pré-diabetes;
- Quem tem pressão alta ou colesterol elevado;
- Fumantes ou ex-fumantes recentes;
- Pessoas com histórico de infarto ou AVC;
- Quem tem obesidade ou doença renal crônica;
- Pessoas com sangramento gengival frequente.

Como proteger boca e vasos
Escovar os dentes com técnica adequada, usar fio dental todos os dias e fazer limpezas periódicas com o dentista ajudam a controlar placa bacteriana e inflamação. Também é importante tratar diabetes, pressão alta e colesterol, porque esses fatores pioram tanto a saúde bucal quanto cardiovascular.
Se houver sangramento persistente, mau hálito ou dentes moles, a avaliação odontológica deve ser feita mesmo sem dor. Veja também as principais causas de gengiva sangrando e quando procurar atendimento.
A ligação entre boca e coração não significa que escovar os dentes evita infarto sozinho. Mas mostra que a gengiva inflamada pode ser um sinal visível de um processo que merece cuidado no corpo inteiro.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou dentista.









