Sentir uma dor que aparece bem na base do polegar, do lado do punho, e que piora ao rolar a tela do celular, segurar a xícara ou levantar uma panela é uma queixa cada vez mais frequente nos consultórios de ortopedia. Esse padrão costuma indicar sobrecarga dos tendões que movimentam o polegar e é característico da tenossinovite de De Quervain. Reconhecer esse sinal cedo ajuda a evitar que a inflamação se torne crônica e limite atividades simples do dia a dia.
O que é a tenossinovite de De Quervain?
A tenossinovite de De Quervain é a inflamação dos tendões que passam pelo lado do punho próximo ao polegar, junto com a bainha que os envolve. Esses tendões são responsáveis por afastar e estender o polegar em relação ao restante da mão e deslizam dentro de um pequeno canal ósseo.
Quando essa região fica inflamada, a bainha se espessa e o espaço para o tendão diminui, o que causa dor, inchaço e dificuldade de movimentação. A condição costuma se instalar de forma gradual, começando com um incômodo leve que aumenta conforme a rotina de uso da mão se mantém.
Por que a dor piora ao segurar o celular ou levantar objetos pesados?
Movimentos que exigem preensão firme, pinça entre o polegar e o indicador ou torção do punho aumentam a fricção dos tendões dentro do canal já inflamado. Segurar o celular por longos períodos, digitar mensagens com os dois polegares, torcer panos e levantar panelas se enquadram nesse padrão.
Cada movimento repetitivo estimula ainda mais a mucosa inflamada, o que agrava a dor e mantém o ciclo de irritação. Não à toa, a dor tende a piorar ao final do dia, após horas de uso do punho, e a melhorar temporariamente com repouso e imobilização.

Como um estudo científico associa o uso do celular à condição?
A popularização dos smartphones abriu uma nova frente de investigação sobre lesões do polegar, já que a maior parte da interação com o aparelho depende justamente desse dedo. Uma revisão sistemática publicada no periódico The Journal of Hand Surgery (Asian-Pacific Volume), indexada no PubMed, avaliou essa relação com base em estudos de várias regiões do mundo.
Segundo a revisão A Review of De Quervain’s Stenosing Tenovaginitis in the Context of Smartphone Use, publicada no The Journal of Hand Surgery (Asian-Pacific Volume), a tenossinovite de De Quervain foi associada a movimentos repetitivos do primeiro compartimento dorsal do punho, e os autores destacaram que o uso do celular, cuja funcionalidade depende principalmente da destreza dos polegares, aparece de forma consistente entre os fatores de risco descritos nos estudos analisados. Ainda assim, os pesquisadores reforçam que outras causas coexistem e não devem ser descartadas.
O celular é a única causa possível dessa dor?
Embora o celular ganhe destaque, a tenossinovite de De Quervain tem múltiplos fatores associados e raramente aparece por um único gatilho. Alguns dos principais fatores de risco e situações que sobrecarregam a região incluem:
- Digitação prolongada em teclado, mouse e telas touchscreen;
- Movimentos repetitivos no trabalho, como cabeleireiros, dentistas, costureiras e músicos;
- Torcer objetos, abrir tampas e realizar tarefas domésticas com esforço concentrado no polegar;
- Cuidar de bebês, ao segurá-los repetidamente pelas axilas com o polegar aberto;
- Prática de esportes que exigem preensão intensa, como tênis, boliche e golfe;
- Gestação, período pós-parto e amamentação, por alterações hormonais e retenção de líquidos;
- Doenças reumatológicas, como artrite reumatoide, e alterações anatômicas do canal por onde passam os tendões.

Como diferenciar de outras causas e quando procurar ajuda médica?
Nem toda dor no punho é tenossinovite de De Quervain. Quadros de síndrome de De Quervain costumam apresentar dor localizada na região próxima ao polegar, com piora ao esticar o dedo ou fechar a mão com o polegar por dentro. Já a síndrome do túnel do carpo produz formigamento e dormência nos dedos, principalmente à noite, e a artrose provoca dor difusa que evolui com o tempo. Uma avaliação com exercícios para tendinite orientados, imobilização e ajustes de rotina costuma ser suficiente na maior parte dos casos.
Recomenda-se procurar um ortopedista ou cirurgião de mão quando a dor persiste por mais de duas semanas, quando limita atividades simples, quando surge inchaço visível, calor local ou estalos ao movimentar o polegar, ou quando aparece em pessoas com doenças reumatológicas conhecidas. O diagnóstico é clínico, feito com apoio do teste de Finkelstein, em que o punho é inclinado com o polegar dobrado dentro da mão, e pode ser complementado por ultrassonografia quando o médico julgar necessário.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Diante de dor persistente ou limitação de movimento, procure orientação médica.









